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Sem protocolo rígido de segurança, volta às aulas pode aumentar infecções em 1.141%

Uso correto de máscaras, distanciamento social e monitoramento de casos suspeitos reduzem significativamente os riscos de infecção

Foto: Divulgação

Isabela Palhares
FolhaPress

A volta às aulas presenciais sem o cumprimento rígido de protocolos de segurança pode aumentar as infecções em até 1.141% nas comunidades escolares.

Uso correto de máscaras, distanciamento social e monitoramento de casos suspeitos reduzem significativamente os riscos de infecção. Se bem executadas, as medidas podem fazer com que o aumento de contágio seja de apenas 10% em comparação com manter as escolas totalmente fechadas.

Os riscos de infecção na retomada das aulas presenciais foram calculados em um estudo do ModCovid19, grupo de trabalho formado por pesquisadores de universidades públicas do país. Eles simularam os índices de contágio com o uso de diversos protocolos de segurança dentro de ambientes fechados nas escolas.

O cenário de maior risco é aquele em que os protocolos são mal executados, com o uso inadequado de máscara pelos alunos, professores e funcionários, sem monitoramento de casos e sem revezamento das turmas.

“A discussão não é mais se é seguro ou não o retorno às aulas presenciais, mas como fazê-lo de forma adequada. Calculamos os riscos em diversos cenários para identificar quais protocolos são mais eficazes”, explica Tiago Pereira, coordenador da pesquisa e professor do ICMC (Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação) da USP.

O cálculo foi feito considerando, por exemplo, uma comunidade com média de 10 casos de Covid-19 antes da reabertura das escolas. Sem que os protocolos sejam seguidos, o número de infecções pode chegar a 124 após a volta dos alunos à sala de aula.

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Apenas com o uso adequado das máscaras, o risco de contágio vai a um aumento de 757%. Se todas as medidas de segurança forem bem implementadas e respeitadas, o retorno dos alunos pode elevar os casos em 10%, passando de 10 para 11 ocorrências.

“Em uma sala de aula típica, em que a circulação de ar é ruim, o maior risco é o infectado soltar partículas de ar com o vírus o tempo todo, durante a respiração. Não adianta passar álcool nas mesas se houver alguém infectado. Por isso, a importância do uso adequado da máscara”, diz Pereira.​

O estudo considera máscaras mal utilizadas, aquelas de tecido de baixa qualidade, de tamanho inadequado ao rosto ou as interrupções no uso. Os pesquisadores ressaltam ainda a importância da utilização de máscaras de maior proteção, como as do tipo PFF2, ao menos para professores.

Como eles passam mais tempo da aula falando e precisam projetar a voz para que todos escutem, o risco de espalhar o vírus é maior. “O professor tem mais impacto na transmissão porque espalha mais partículas de saliva pela forma como precisa se comunicar. Se ele estiver contaminado, irá espalhar mais do que o aluno.”

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O revezamento das turmas também é um fator que ajuda a reduzir os riscos de infecção. Segundo os pesquisadores, o rodízio de alunos não apenas ajuda a garantir o distanciamento físico mas também reduz as chances de alguém contaminado expor o restante dos colegas.

O monitoramento de casos suspeitos também reduz significativamente os riscos. A eficácia da medida depende da colaboração de todas as famílias, já que o rastreamento envolve também as ocorrências confirmadas e suspeitas de familiares dos alunos.

“Se a comunidade estiver bem orientada e consciente do seu papel, é possível reduzir os riscos. Uma criança assintomática, que conviveu com um familiar com caso positivo ou suspeito, deve ficar em casa.”

Pela primeira vez, desde o início da pandemia, o país deve ter a maioria dos estados com as escolas estaduais abertas em agosto. Apenas três estados não planejam a volta das aulas presenciais no próximo mês.

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O movimento inédito da retomada presencial em todas as regiões do Brasil acontece no momento em que há crescimento de infecções pela variante delta, que é mais transmissível. Por isso, os pesquisadores destacam a importância do cumprimento dos protocolos que já se mostram eficazes.

“Desde o início da pandemia, aprendemos muito sobre o contágio e as medidas de prevenção. As simulações nos mostram quais são as formas seguras de controlar o vírus, que são o uso adequado das máscaras e o monitoramento”, diz Pereira.

MEDIDAS PARA REDUZIR O RISCO NAS ESCOLAS

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  • Ambientes devem ser bem ventilados, com boa circulação do ar
  • Professores devem usar máscaras tipo PFF2
  • Alunos devem usar máscaras de boa qualidade de forma ininterrupta
  • Rodízio de alunos deve ser feito para aumentar distanciamento e evitar exposição de mais pessoas
  • Casos de Covid-19 entre funcionários, alunos e familiares devem ser notificados e rastreados
  • Crianças que tiveram contato com alguém infectado devem ficar em casa

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