O presidente da Câmara Brasileira da Construção (CBIC), price Paulo Safady Simão, criticou, hoje (5), os trabalhadores que teriam ameaçado fazer greve contra as demissões no setor e que pensam em pedir a suspensão de financiamentos públicos às empresas que optarem pela redução de vagas diante da crise financeira internacional.
“Acho isso uma irresponsabilidade grande. O que garante emprego é investimento. Se não houver investimento não haverá emprego. Querer garantir estabilidade aproveitando um momento desses é de uma irresponsabilidade grande”, protestou.
Simão disse, ainda, que a proposta parece “coisa de candidato” e não deveria estar na pauta de ninguém. Ele voltou a defender a garantia de investimentos para o próximo ano em obras públicas para a infra-estrutura e para o mercado imobiliário.
Segundo ele, os trabalhadores “são grande parceiros” dos representantes do setor e deveriam, nesse momento de crise, ser também aliados sem fazer greve. “Isso é o maior desserviço que eles poderão fazer nesse momento”, disse.
Simão também rechaçou a proposta de um seguro-desemprego para o setor imobiliário. Para ele, é uma temeridade pois será um risco que se somará aos valores dos imóveis. “Será que, na hora da crise, na hora que todo mundo está falando do terrorismo do desemprego, nós vamos estabelecer isso agora? Não contará com a participação do setor nessa discussão.”
Ontem (4), ao encontrar-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Simão considerou normal as demissões no setor por se tratar de um fator sazonal (característica de determinados períodos nos quais há maior ou menor atividade). Ele admitiu, porém, que a redução da atividade em função da crise também tem influência na redução dos postos de trabalho do setor neste final de ano, mas descartou um pacto contra as demissões da construção civil.
Mesmo com a crise, o presidente da CBIC acredita que o setor da construção civil deverá crescer 5%, em 2009, acima, portanto, dos cerca de 3% que analistas estimam para a economia e dos 4% estimados pelo governo. Em 2008, a perspectiva é de um crescimento de 8,5% para a construção civil. O maior prejudicado, segundo ele, seria o setor de imóveis para a população de alta renda.
O presidente da CBIC informou, ainda, que realizará uma série de encontros com o governo para discutir alternativas para o setor de construção, incluindo obras planejadas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os entraves na liberação dessas obras e a melhoria do capital de giro das empresas.