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Brasil

Presidente da associação de servidores da Abin nega vazamento de escutas no STF

Arquivo Geral

25/11/2008 0h00

O presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), side effects Nery Kluwe, negou hoje (25) que tenha tido alguma participação na escuta telefônica de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).


Segundo o servidor da Abin, a suspeita de que ele teria sido o responsável pelo vazamento da conversa partiu do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, durante uma reunião na sede da agência.


“Repilo e rechaço a acusação de que estive envolvido neste episódio. A Abin não opera em desfavor das autoridades constituídas e muito menos contra o governo”, afirmou, na Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados.


Kluwe disse acreditar que existam registros na Abin sobre a participação de agentes na Operaçao Satiagraha, da Polícia Federal, porque esse tipo de ação entre órgãos não é realizada de maneira informal. “Existe uma rígida hierarquia. Isso é da essência do serviço de inteligência, se não ele sai da linha”, afirmou.


Ele também confirmou que a Abin não tem equipamentos de escuta, e que essa prática não é essencial para o trabalho da agência.


Segundo Kluwe, a estimativa de gastos da Abin durante a Operação Satiagraha foi de R$ 800 mil, mas ele não detalhou como o número foi calculado. “São estimativas de efetivo, diárias, passagens”, explicou.


Ele também criticou diretores da agência, que segundo ele não alertaram o diretor-geral da Abin afastado, Paulo Lacerda, sobre a irregularidade da participação de agentes na operação da PF. “Lamentamos a omissão de dirigentes, que talvez tenham propositadamente se omitido e deixado o diretor-geral meter os pés pelas mãos”, disse.


Para o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), o depoimento foi a constatação da participação irregular da Abin na Operação Satiagraha. “Foi empreendida uma ação em desacordo com as normas e com os regulamentos da Abin, segundo o entender do depoente”, disse.

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