A partir desta quinta-feira (1ª), treat os brasileiros terão que começar a se acostumar com uma nova forma de escrita, case conforme estipulado no acordo ortográfico aprovado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Por enquanto, cure as mudanças não são obrigatórias. Haverá um período de transição de quatro anos para adequação da escrita e até 31 de dezembro de 2012 ambas as formas serão aceitas como corretas em provas escolares, vestibulares e concursos públicos, por exemplo. Mas o Governo Federal recomenda que todos os documentos oficiais sejam escritos a partir de 1º de janeiro da nova maneira.
Já nas escolas da rede pública de ensino do País, a obrigatoriedade de trabalhar com livros adaptados à nova ortografia começa em 2010. A distribuição será feita pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, autarquia filiada ao Ministério da Educação. Em 2009, fica a critério das editoras a adaptação, mas em 2010 será obrigatório.
No DF, já começaram os esforços para capacitação de professores nas escolas particulares. Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe), 40% dos professores dos colégios privados já passaram por treinamentos e os demais farão em 2009.
Este ano algumas escolas já adotaram livros com as mudanças ortográficas, mesmo antes da data prevista pelo governo. As turmas de alfabetização, por exemplo, já serão ensinadas na nova forma em 2009. Na rede pública de ensino, as ações ainda não foram definidas.
O que vai mudar
– As letras K, W e Y farão parte do alfabeto, constituído por 26 letras.
– Palavras graves homógrafas de palavras com vogal tônica aberta ou fechada. Exemplos: Pêlo > pelo; pára (do verbo parar) > para; pólo > polo; pêra > pera.
– Palavras graves com ditongos tônicos ei. Exemplos: Assembléia > assembleia; idéia > ideia; estréia > estreia.
– Palavras graves com i e u tônicos, quando precedidas de ditongo. Exemplos: Feiúra > feiura; baiúca > baiuca.
– Palavras graves terminadas em o duplo. Exemplos: Abençôo > abençoo; enjôo > enjoo; vôo > voo.
– Palavras com trema. Exemplos: Cinqüenta > cinquenta; lingüista > linguista; tranqüilo > tranquilo; sagüi > sagui.
– O trema continuará a ser usado em vocábulos de origem estrangeira e seus derivados. Exemplo: Mülleriana (de Müller).
– Uso facultativo so acento em nome feminino. Exemplo: fôrma > forma.
Supressão do hífen:
– Nos compostos em que se perdeu a noção de composição.
Exemplos: manda-chuva > mandachuva; pára-quedas > paraquedras; pára-quedista > paraquedista.
– Quando o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r, duplificando-se a consoante. Exemplos: anti-religioso > antirreligioso; anti-rugas > antirrugas; contra-regra > contrarregra.
– Quando o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por s, duplificando-se a consoante. Exemplos: contra-senso > contrassenso; mini-saia > minissaia; micro-sistema > microssistema.
– Quando o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente. Exemplos: auto-estrada > autoestrada; extra-escolar > extraescolar; intra-ósseo > intraósseo.
– Com o prefixo co-, mesmo quando o segundo elemento começa por o. Exemplos: co-administração > coadministração; co-produtor > coprodutor; co-ocorrência > coocorrência.
– Na maior parte das locuções. Exemplos: cartão-de-visitas > cartão de visitas; fim-de-semana > fim de semana.
– Quando existe o verbo haver acompanhado da preposição de. Exemplos: hei-de > hei de; há-de > há de; hão-de > hão de.
Uso do hífen:
– Em compostos que designam espécies botânicas ou zoológicas. Exemplos: andorinha-do-mar; bem-me-quer; feijão-verde.
– Com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa com vogal, h, m ou n. Exemplos: circum-navegação; pan-africano.
– Com os prefixos hiper-, super- e inter-, quando o segundo elemento começa por r. Exemplos: hiper-realista; inter-resistente; super-resistente.
– Com os prefixos pós-, pré- e pró-. Exemplos: pós-graduação; pré-escolar e pró-europeu.
– Com os prefixos ex-, sota-, soto-, vice- e vizo-. Exemplos: ex-mulher; sota-piloto; soto-mestre; vice-campeão; vizo-rei.
– Quando o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico; infra-axilar; micro-ondas.
O novo acordo sistematiza o emprego da inicial minúscula e considera facultativo o seu uso em vários casos:
– Meses do ano: janeiro, fevereiro, março, abril.
– Estações do ano: primavera, verão, outono, inverno.
– Designações usadas para mencionar alguém cujo nome se desconhece: fulano, sicrano, beltrano.
– Pontos cardeais, colaterais e sub-colaterais: norte, sul, leste, oeste; nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste; nor-noroeste, nor-nordeste, oés-noroeste, oés-nordeste, su-sudeste, su-sudoeste.
– Quando empregados absolutamente ou quando se usam as correspondentes abreviaturas, estes nomes escrevem-se com inicial maiúscula. Exemplos: Trabalho a sul de Coimbra; Vivo no Norte (norte de Portugal).
– Uso facultativo de minúscula e maiúscula em disciplinas escolares, cursos e domínios de saber: matemática ou Matemática; português ou Português.
– Uso facultativo de minúscula e maiúscula em nomes de vias, lugares públicos, templos ou edifícios: Igreja do Bonfim ou igreja do Bonfim; Rua da Restauração ou rua da restauração.
– Uso facultativo de minúscula e maiúscula em formas de tratamento: Santa Rita ou santa Rita; Senhor Doutor ou senhor doutor.
– Uso facultativo de minúscula e maiúscula em nomes de livros ou obras, exceto o primeiro elemento e os nomes próprios que se grafam com maiúscula inicial: Memorial do Convento ou Memorial do convento.
Confira o guia completo do acordo ortográfico no site www.portuguesexacto.pt