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Brasil

Operações prendem 21,7 mil suspeitos de violência contra a mulher em 2026; 9 mil mandados seguem abertos

Foram registradas 17.266 prisões em flagrante e 4.490 por cumprimento de mandados de prisão durante a primeira e a segunda fases da Operação Mulher Segura

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 16h50

feminicidio

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

RAQUEL LOPES
FOLHAPRESS


As forças de segurança prenderam 21.756 pessoas por crimes relacionados à violência contra a mulher em 2026, em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais no âmbito de duas operações com mobilização nacional. Apesar disso, o país ainda tem 9.032 mandados de prisão em aberto.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas 17.266 prisões em flagrante e 4.490 por cumprimento de mandados de prisão durante a primeira e a segunda fases da Operação Mulher Segura, que alcançou 4.379 municípios em todas as unidades da federação.

A primeira fase ocorreu de 19 de fevereiro a 5 de março e a segunda, de 1º de junho a 27 de julho. Parte dos dados foi apresentada pelo ministério nesta quarta-feira (29), durante evento no Centro Integrado Mulher Segura. A estrutura foi criada para integrar, coordenar e monitorar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência em todo o país.

Entre os crimes que motivaram as prisões estão ameaça, lesão corporal, estupro, descumprimento de medidas protetivas de urgência, perseguição, violência psicológica, feminicídio, tentativa de feminicídio, entre outros.

Entre os registros de prisão há um caso de vicaricídio, crime cuja tipificação foi aprovada pelo Congresso neste ano, em que o agressor atinge ou mata uma pessoa ligada à mulher, como filhos, parentes ou dependentes, com o objetivo de provocar sofrimento emocional, exercer controle ou puni-la.

Já os dados obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que o país ainda tem 9.032 mandados de prisão em aberto relacionados à violência contra a mulher. A maior concentração está em São Paulo (21,1%), seguido por Minas Gerais (7,1%), Paraná (6,8%), Maranhão (5%) e Bahia (4,8%).

Segundo o secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a prisão de agressores é um fator fundamental para o combate da violência contra a mulher. A principal dificuldade está no cumprimento de mandados de prisão antigos, cujos foragidos muitas vezes já levam outras vidas.

Para superar isso, o governo está enriquecendo o Banco Nacional de Mandados de Prisão com dados de endereços públicos e informações de parceiros privados e financiando policiais especificamente para o cumprimento desses mandados por meio de diárias na Operação Mulher Segura.

“Graças ao enriquecimento da base de dados e à integração entre órgãos foi possível prender no interior do Nordeste um homem que havia cometido um homicídio [que atualmente é classificado como feminicídio] há mais de 20 anos em São Paulo”, disse.

Como a Folha de S.Paulo havia antecipado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública também apresentou os dados que apontam uma queda de 2,5% nos casos de feminicídio no país no primeiro semestre deste ano.

O Brasil registrou 741 vítimas de feminicídio entre janeiro e junho de 2026, contra 760 mortes no mesmo período do ano passado. Em números absolutos, foram 19 vítimas a menos. Os dados mostram, no entanto, que a redução não ocorreu de forma homogênea no país. Nove estados registraram aumento no número de feminicídios no período.

Diante desse cenário, o governo federal tem ampliado os esforços para tentar conter esse tipo de crime. Neste ano, lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do estado à violência de gênero.

“Ainda que não tenhamos alcançado os números ideais, aqueles que desejamos, há um dado importante: a curva de crescimento observada nos últimos dez anos foi revertida para uma pequena queda de 2,5%”, disse o secretário durante o evento.

“Diante de um cenário em que a tendência era de aumento contínuo, isso nos dá a impressão de que o caminho é esse: a integração, o trabalho conjunto e as ações coordenadas entre todos os poderes e, principalmente, com toda a sociedade”, acrescenta.

O evento contou com a presença dos ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), Márcia Lopes (Mulheres), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), Alexandre Padilha (Saúde) e Leonardo Barchini (Educação), José Guimarães (Relações Institucionais).

A agenda também teve a primeira-dama Janja Lula da Silva, a deputada Gleisi Hoffmann e diversos membros do Ministério da Justiça.

A primeira-dama disse que, além dos dados estatísticos de redução da violência, a maior conquista é a visibilidade do problema. Ela argumenta que o tema agora permeia programas de televisão, jornais e rodas de amigos, conferindo-lhe maior importância.

“Nós colocamos no centro da discussão [tema de violência contra a mulher], colocamos na mesa a vida das mulheres, colocamos a questão do ‘basta’ no centro da discussão do país”, disse a primeira-dama.

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