O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou nesta sexta-feira, 31, o decreto que oficializa a criação do Parque Municipal do Rio Bixiga, na Bela Vista, centro da capital
A área de 11,1 mil m² ao lado do Teatro Oficina foi alvo de uma disputa ao longo de mais de 40 anos. Em 2024, o terreno foi adquirido pela Prefeitura para a implantação do parque. Agora, a estimativa da gestão é de que o local fique pronto até o fim de 2028.
Em maio, o escritório Democratic Architects, liderado pelo arquiteto paulistano Antonio Roberto Zanolla, venceu o concurso de proposta para o parque. A empresa foi contratada para realizar o projeto executivo, fase que antecede e orienta a obra A execução dessa etapa teve início nesta semana. O prazo para conclusão é de dez meses – até maio de 2027.
A nova área verde será instalada no cruzamento entre as ruas Jaceguai, Abolição e Santo Amaro. Vizinhos do terreno, o Teatro Oficina e seu fundador, Zé Celso Martinez Corrêa, morto em 2023, defendiam a criação do parque há quatro décadas.
A propriedade, porém, pertencia à Sisan Empreendimentos, do Grupo Silvio Santos. A empresa já planejou construir desde shopping a condomínio com três torres no local, mas sempre enfrentou resistência e mobilizações contrárias do grupo artístico.
Em 2024, a Prefeitura comprou o terreno do Grupo Silvio Santos por R$ 64 milhões. Os recursos financeiros vieram de um acordo entre o Executivo, a Uninove e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O grupo de ensino aceitou pagar uma multa bilionária para se livrar de um processo por propinas a fiscais municipais em troca de imunidade tributária. O trato determinava que parte da verba fosse utilizada para a criação do parque.
Apesar de a briga entre o Teatro Oficina e o Grupo Silvio Santos sobre o uso do terreno ter se encerrado, a discussão segue sobre o nome do parque. Vereadores da capital de esquerda defendem homenagear Zé Celso, já os de direita reivindicam o tributo ao fundador da emissora SBT, morto em 2024.
Projeto inclui bosque ‘esponja’, recuperação de córrego e arena teatral
A principal medida será a renaturalização (processo de restaurar ecossistemas degradados) do Córrego Bixiga, hoje canalizado e soterrado na área do futuro parque.
A proposta da Democratic Architects organiza o terreno em duas partes: um setor alto, onde ficarão estruturas para programações culturais e esportivas, e um setor baixo, com um bosque agroecológico e o córrego.
“A proposta é ser um grande bolsão de drenagem, um ‘parque-esponja’. Vai escoar mais lentamente a água e ser reabsorvida de maneira progressiva pela terra, uma coisa que São Paulo perdeu (com o asfaltamento)”, afirma André Zanolla, integrante do escritório.
O parque terá praças de acesso abertas 24h, com oferta de banheiros públicos, passarelas garantindo a acessibilidade e vai se integrar à horta já existente na Rua Jaceguai.
O projeto prevê a criação de uma arquibancada ao ar livre nas costas do Oficina, visando a fornecer uma nova área de apresentações para o teatro e outros coletivos.
Estadão Conteúdo