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Brasil

Meteorologistas descartam relação direta entre ventania e El Niño

Inmet e Cemaden apontam zona de baixa pressão e linha de instabilidade como causas das rajadas que atingiram Rio e São Paulo.

Redação Jornal de Brasília

30/07/2026 12h38

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fortes ventos provocaram estragos e mortes no Rio de Janeiro e em São Paulo na tarde desta quarta-feira (30), com uma estação meteorológica da capital fluminense registrando rajadas de 105 km/h.

Segundo a meteorologista Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de escoamento. Ela afirmou que a conjunção desses fatores ajudou a formar a instabilidade responsável pelas rajadas intensas, que chegaram a cerca de 100 km/h nos dois estados.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, disse que as rajadas se formaram a partir de uma linha de instabilidade sobre uma frente fria na Região Sul do Brasil. Segundo ele, tratava-se de uma linha de tempestades alinhadas que deu origem a uma frente de rajada, responsável pela ventania sentida na tarde de quarta-feira.

Seluchi explicou ainda que a frente de rajada avança mais rápido do que a linha de nuvens da tempestade e que, no caso observado, a tempestade em si nem chegou a ocorrer em alguns locais. No Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP), houve chuva no fim da tarde e no início da noite, restante da linha de tempestades que foi se dissipando ao avançar para o norte desde Paraná e Santa Catarina.

Tanto Suellen Araujo quanto Marcelo Seluchi avaliam que ainda não é possível associar diretamente o episódio ao El Niño, fenômeno que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que provoca alterações no clima global. Suellen disse que seria necessária uma avaliação mais minuciosa para verificar eventual relação com o fenômeno.

Seluchi afirmou que é difícil estabelecer uma relação direta entre os ventos fortes e o El Niño, embora diga que a frequência maior de frentes estacionárias na Região Sul pode ter relação com o fenômeno. Para ele, a linha de instabilidade e as rajadas de vento são efeitos secundários dessas frentes e podem ocorrer em qualquer época do ano, inclusive em anos sem El Niño.

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), também afirmou que são necessários estudos mais profundos para identificar eventual vinculação entre a ventania e o El Niño. Segundo ele, não é possível afirmar nem contrariar essa correlação neste momento.

Com informações da Agência Brasil

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