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Brasil

Maioria das cidades ainda não tem plano contra calor extremo

Estudo divulgado pela presidência brasileira da COP30 e pelo Pnuma aponta falhas de dados, governança e financiamento.

Redação Jornal de Brasília

03/06/2026 16h52

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A maioria das cidades brasileiras ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) pela presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O levantamento integra a iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo, que faz parte da plataforma global Coalizão pelo Resfriamento, e reúne atualmente 258 cidades no mundo, sendo 105 no Brasil. O estudo foi realizado em 53 cidades brasileiras e mostra que, embora o tema já seja considerado relevante, ainda há dificuldades para transformar essa percepção em capacidade de resposta.

Segundo o levantamento, 93% dos gestores classificam o calor extremo como um problema relevante e 68% o colocam entre os três principais desafios locais. Ainda assim, 75% das cidades não usam dados de forma estruturada para apoiar decisões sobre o tema, 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação e apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos relacionados ao fenômeno.

As ações adotadas hoje se concentram principalmente em soluções baseadas na natureza. Medidas como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas estão presentes em 77% dos municípios participantes. Já estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e uso de materiais refletivos, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.

O estudo também aponta fragilidades nas compras públicas. Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, o que indica que o tema ainda é pouco incorporado às políticas estruturantes de gestão pública.

Os pesquisadores explicam que calor extremo não é apenas “um dia muito quente”, mas uma situação em que, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o dia não é dissipado à noite. Segundo o texto, isso afeta corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura, aumentando os riscos à saúde e ao funcionamento das cidades.

O Pnuma alerta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enxurradas e deslizamentos no mesmo período.

A CEO da COP30, Ana Toni, afirma que a adaptação a essa nova realidade demanda colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo, com apoio nacional e internacional. Criado em 2025, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar municípios na elaboração de diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana.

Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam implementar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis. A expectativa é que as ações beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de habitantes das cidades envolvidas.

Com informações da Agência Brasil

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