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Brasil

Maior ladrão de arte do país é apontado como mandante de roubo na biblioteca Mário de Andrade, diz polícia

O suspeito apontado como mandante está preso desde abril após ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, em desdobramento de outro caso

Redação Jornal de Brasília

22/05/2026 13h49

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Laéssio Rodrigues de Oliveira, conhecido como o maior ladrão de livros raros e obras de arte do Brasil. Foto: Divulgação

PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS


Investigação da Polícia Civil aponta Laéssio Rodrigues de Oliveira, considerado o maior ladrão de obras de arte do país, como mandante do roubo de quadros da biblioteca Mário de Andrade, ocorrido em 7 de dezembro de 2025.

Naquela data, dois homens armados invadiram o espaço municipal, localizado na Consolação, região central de São Paulo, e levaram oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari —estas da obra “Menino de Engenho”—, pertencentes à exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”.

As peças não foram recuperadas e podem ter sido enviadas para o exterior, segundo a polícia. A reportagem não identificou na manhã desta sexta-feira (22) quem é o responsável pela defesa de Laéssio na investigação.

O suspeito apontado como mandante está preso desde abril após ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro, em desdobramento de outro caso. Um segundo suspeito, com participação no roubo à biblioteca, também está detido pela mesma ação da PF.

Na operação desta sexta-feira (22), batizada de Operação Marchand pela Polícia Civil paulista, uma mulher foi presa. A Justiça havia expedido 11 mandados de busca e apreensão a pedido do delegado Ronald Queny, do 1º Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado), responsável pela investigação desde o início.

Entre os alvos das buscas há endereços ligados a suspeitos e a estabelecimentos do segmento de leilões e comercialização de obras de arte.

A investigação apura a atuação de um grupo criminoso organizado voltado ao roubo, à receptação e à tentativa de inserção ilícita de patrimônio cultural no mercado clandestino. Há indícios de planejamento prévio e divisão de tarefas entre os envolvidos.

Durante as buscas, foram apreendidos quadros sem procedência e aparelhos celulares.

Laéssio é um confesso ladrão de milhares de obras raras em bibliotecas e museus brasileiros a partir dos anos 1990. Foi preso diversas vezes e foi objeto de um documentário exibido pelo Globoplay, “Cartas para um Ladrão de Livros”, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros.

Em 2018 e 2019, ele foi objeto de uma série de reportagens na Folha de S.Paulo, após escrever uma carta ao jornal denunciando que algumas gravuras de Emil Bauch, expostas no Itaú Cultural de São Paulo, tinham sido furtadas por ele próprio da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 15 anos antes.

Em março, a Folha de S.Paulo mostrou que ele teria voltado a atacar em São Paulo. Mas desta vez não levou nada embora, já que foi reconhecido a tempo pelo presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), João Tomás do Amaral.

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