Uma novidade que vem sendo implantada para tentar reduzir as desigualdades sociais na América Latina e Caribe é a elaboração de políticas específicas para regiões e grupos sociais distintos. A informação é do representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, pills José Graziano.
Após as discussões da manhã de hoje (15) na 30ª Conferência Regional da Organização da Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, Graziano disse que, ao longo dos anos, tem se usado o mesmo “remédio” para “doenças” com causas distintas.
“Não adianta mais comprar terno feito, tem que fazer um terno sob medida. Cada grupo social tem as suas particularidades, especificidades. Nós temos que chegar a eles e, para isso, temos que desenhar políticas mais sob medida”, afirmou.
Graziano informou que alguns países já começam a aplicar essas políticas. “Isso é novo, mas nós já temos países, como a Bolívia, o Peru, a Nicarágua, entrando nesse caminho de gerar políticas não gerais, mas políticas para a agricultura familiar, políticas para os indígenas. Isso é um avanço muito forte”, acrescentou.
Ele lembrou que a região da América Latina e Caribe apresenta o maior índice de desigualdade social do mundo, superando a África. Apesar disso, alguns países, como o Brasil e o Chile, já começam a colher os resultados de suas políticas específicas para grupos sociais distintos.
Levando-se em conta os indicadores de subnutrição, o Brasil tinha 18,5 milhões de pessoas nessa condição em 1990, cerca de 12% da população à época, de acordo com a FAO. Em 2004, eram 13,1 milhões de subnutridos, o equivalente a 7% dos habitantes do país. Mesmo assim, o Brasil tem o maior número de subnutridos da América Latina, mais que o dobro do México, segundo colocado, com 5,3 milhões.