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Brasil

Fazendas em que houve operação contra trabalho escravo tinham contrato com a Basf, diz empresa

Ao chegar ao local, a fiscalização afirma que encontrou 82 pessoas em condições degradantes, incluindo 11 adolescentes entre 14 e 17 anos

FolhaPress

16/03/2023 23h28

Caue Fonseca
Porto Alegre, RS

As fazendas de arroz de Uruguaiana (RS) nas quais 82 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão, segundo autoridades envolvidas na operação, tinham contrato com a multinacional Basf para a produção de sementes. A informação foi divulgada pela própria empresa nesta quinta-feira (16).

Uruguaiana fica na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, a 630 quilômetros de Porto Alegre.
Os elos econômicos das fazendas Santa Adelaide e São Joaquim ainda eram investigados pelo MPT-RS (Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul), MTR (Ministério do Trabalho e Emprego) e pela Polícia Federal. Conforme a nota, a empresa, “ao tomar conhecimento sobre o caso, (…) decidiu de maneira proativa procurar as autoridades para contribuir com a resolução do caso”.

Na nota, a multinacional diz exigir de seus fornecedores e subcontratados “que as empresas contratadas estejam de acordo com a lei trabalhista e sejam rigorosas no respeito aos direitos humanos”.

Promete ainda contribuir com as autoridades para “assegurar condições adequadas de trabalho, segurança e bem-estar de trabalhadores terceirizados e subcontratados por todos seus prestadores de serviços.”

O segmento de soluções agrícolas é um dos braços de atuação da Basf. Ela produz fungicidas, herbicidas, inseticidas e soluções biológicas, assim como sementes e produtos de tratamento de sementes.

A operação ocorreu após denúncia de que havia jovens circulando na propriedade em trabalho irregular e sem carteira assinada. Ao chegar ao local, a fiscalização afirma que encontrou 82 pessoas em condições degradantes, incluindo 11 adolescentes entre 14 e 17 anos. Havia 54 trabalhadores na fazenda Santa Adelaide e 28 na São Joaquim.

Entre as irregularidades apontadas pelos agentes estava o corte manual do arroz com instrumentos inapropriados, como facas domésticas, e a aplicação de agrotóxicos com as mãos. Há relatos ainda de jornadas extenuantes, sem fornecimento de alimentação e de deslocamentos por mais de 50 minutos sob o sol até o local de trabalho, pelos quais eles receberiam R$ 100 por dia.

Um homem, suspeito de ser “gato” –um aliciador de trabalhadores na região para essas jornadas– foi preso. Conforme o MPT-RS, assim que fossem esclarecidos os empregadores, os trabalhadores receberiam três parcelas de seguro-desemprego, além de assinatura na carteira de trabalho pelo serviço efetuado e verba rescisória. Na etapa seguinte, serão negociados pagamentos de indenizações.

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