Entidades sindicais realizaram nesta quarta-feira (7) manifestações contrárias em frente ao consulado de Cuba em São Paulo. Parte das entidades, lideradas pela central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT), protestou contra o que chamaram de “antagonismo” do regime cubano.
“A revolução trouxe, além do romantismo, ideais, trouxe uma série de questões que são fundamentadas na maior parte do movimento sindical. Mas, nesse caso, há um antagonismo. Num país em que a revolução veio para quebrar alguns paradigmas, não se pode, em hipótese alguma, ceifar opiniões e calar idéias”, disse o presidente da UGT, Ricardo Patah.
A UGT levou dezenas de mulheres ao consulado vestidas de branco, em referência às Damas de Branco, grupo de mães e mulheres de presos políticos cubanos. A central não foi recebida pelo corpo consular.
“Não é um ato contra Cuba. Nós somos a favor de Cuba, somos a favor do povo de Cuba, só que, logicamente, certas situações têm de ser revistas, não podem ser perenes”, ressaltou Patah.
Outras entidades, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), em manifestação paralela, realizada no mesmo local, protestaram contra a posição da UGT e favoravelmente ao regime cubano.
“O ato da UGT era uma falsa solidariedade com o povo cubano, porque era solidariedade às chamadas Damas de Branco. Na nossa opinião, o povo cubano não está de acordo com as Damas de Branco. Tanto é que elas não mobilizam mais que algumas dezenas de pessoas”, afirmou o diretor da Cebrapaz e um dos organizadores da mobilização, Ricardo Abreu.
Segundo Abreu, a atividade das Damas de Branco, assim como greves de fome realizadas no país caribenho, estão diretamente ligadas aos Estados Unidos, e são a forma atual de se fazer oposição ao regime cubano.
“Tentaram várias formas de fazer oposição e de derrubar a revolução. Fala-se de um grevista de fome, que faleceu, lamentavelmente. Mas não se fala de quase 50 anos de bloqueio econômico e vários tipos de sabotagem, inclusive a invasão de Cuba”, disse.