Na última aparição pública no Planalto em 2008, physician o presidente Lula repetiu o tradicional discurso de crítica à oposição e à imprensa. Ao sancionar lei que muda a organização do ensino técnico federal, ele voltou a reclamar da extinção da CPMF pelo Senado e disse que os jornalistas costumam ignorar fatos importantes do governo. “Tivemos o percalço da CPMF, que um dia a história vai julgar”, afirmou.
Ao se queixar da imprensa, Lula, porém, cometeu uma gafe: “Dizem que se a gente não repetir certas coisas muitas vezes a imprensa não publica. Então, por favor, liguem os gravadores”, disse o presidente, sem perceber que não havia nenhum jornalista na solenidade, realizada numa sala do segundo andar do palácio.
Como de costume, os repórteres foram proibidos de participar do evento. A Presidência só permitiu que os jornalistas acompanhassem por um monitor, no térreo do Palácio.
Durante a solenidade, o presidente informou que organizará dia 10 de fevereiro, em Brasília, uma reunião com os prefeitos para cobrar maior empenho na execução de programas federais de combate ao analfabetismo e à mortalidade infantil. Ele disse não entender o motivo de o País não conseguir reduzir a taxa de 15% de analfabetismo da população adulta, índice registrado desde os anos 1970. “O problema é que temos um estoque de analfabetos adultos”, constatou.
Também irá propor um pacto para aumentar o número de registros civis. Ele citou a própria história pessoal para pedir que os prefeitos conscientizem os pais da necessidade de registrar os filhos, especialmente nos grotões. Lula contou que, ao nascer, o pai demorou para registrá-lo. “É que pobre do interior quando chega à cidade não vai primeiro no cartório, mas na bodega”, disse. “Nenhuma criança pode sair do hospital sem o registro”.
Hoje, o presidente segue para Recife, onde inaugura pela manhã o Parque Dona Lindu, uma homenagem a sua mãe. Deve passar a virada de ano numa base da Marinha, em Fernando de Noronha. O único compromisso previsto na agenda dele até agora para janeiro é a participação na Feira do Couro, em São Paulo, dia 12. A partir de fevereiro, Lula vai transferir o gabinete do Palácio do Planalto para o Centro Cultural Banco do Brasil, a poucos quilômetros do Centro de Brasília. O governo desistiu de vir para o Palácio do Buriti, onde uma grande obra chegou a começar para abrigar Lula e sua equipe direta – o governador José Roberto Arruda (DF) despacha no chamado Buritinga, sede administrativa do GDF que fica em Taguatinga. O Palácio do Planalto será fechado para reformas.