Brasil

Derrubada de árvores na Amazônia caiu pela metade nos últimos dois anos, diz ONU

Por Arquivo Geral 25/10/2007 12h00

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou hoje que os principais perigos ecológicos que a América Latina enfrentará nos próximos 50 anos são a ausência de fatores ambientais nos planos econômicos e o mau ordenamento territorial. As florestas e a biodiversidade da região continuam sendo destruídas.

O Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) publicou hoje essas conclusões na quarta edição do relatório “Perspectiva do Meio Ambiente Mundial”.

O documento, approved conhecido como GEO-4 e feito por 390 analistas, avalia o estado da atmosfera, terra, água e biodiversidade mundiais.

Um dos autores do documento, Diego Martino, disse à agência Efe que a ausência de planejamento alinha os quatro grandes desafios ambientais latino-americanos: urbanização desordenada, degradação das regiões litorâneas, vulnerabilidade à mudança climática e desmatamento.

“Há uma falta de ordenamento territorial muito grave, e por isso vemos que as cidades crescem de forma desordenada. Não é que tenhamos um problema porque as cidades crescem, mas pelo modo como crescem e como ocorre nas regiões litorâneas”, afirmou Martino, membro do Centro Latino-Americano de Ecologia Social, no Uruguai.

Ele também afirmou que não há integração de “temas ambientais na agenda do desenvolvimento” e existem muitos projetos que não consideram esse aspecto, fazendo com que os problemas ambientais afetem os que querem ajudar.

O relatório adverte que a expansão das fronteiras agrícolas devido ao planto para biocombustíveis ameaça aumentar o ritmo de desmatamento.

O texto reconhece que a derrubada de árvores caiu pela metade na Amazônia nos últimos dois anos. O documento também destaca que o Paraguai conseguiu reduzir em 85% a alta taxa de desmatamento que registrava até 2004.

“O problema não está só na floresta, nas regiões do Pampa argentino, uruguaio ou do Pantanal mato-grossense, onde utilizam glisofato nos cultivos de um tipo de soja, que queima a vegetação existente. Não é apenas a perda da floresta, é a perda do habitat natural”, disse Martino.

Além disso, afirmou que o atual modelo econômico latino-americano baseado na extração de recursos naturais gera um enorme impacto na natureza, algo que na maioria das vezes não é considerado na hora de tomar decisões.

O relatório também mostra que apenas 14% do esgoto da região é tratado adequadamente para não contaminar e 127 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e a sistemas de saneamento.

Ao mesmo tempo, 25% das terras sofrem desertificação e 61% das áreas de coral do Caribe estão ameaçadas pela sedimentação e contaminação, além de estarem sob exploração da pesca.

Metade das áreas litorâneas da América do Sul e um terço do litoral das partes norte e central do continente estão sob ameaça alta ou moderada de urbanização excessiva.

Martino disse que esse excesso degrada os terrenos litorâneos e aumenta a vulnerabilidade à mudança climática. Ele deu como exemplo a eliminação das florestas de mangue que atuam como barreira natural às altas do nível do mar e à crescente fúria dos furacões.

O relatório adverte que as Antilhas são vulneráveis devido ao aumento do nível das águas. A região caribenha, em geral, também sofre pela expansão dos ciclos dos mosquitos que transmitem doenças como dengue.

Martino também cita o dano que pode sofrer o setor agrícola da região, pouco modernizado, em conseqüência das mudanças no padrão de chuvas, que ocorrem devido ao aumento das temperaturas.






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