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Brasil

Deepfakes dominam publicações com IA nas eleições, aponta Lupa

Levantamento do projeto VigIA mostra 554 deepfakes entre 920 conteúdos com uso de IA analisados no período eleitoral. A maioria das postagens não trazia sinalização exigida pela regra eleitoral.

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 13h48

designer usando uma tecnologia futurista de tela de tablet digital transparente

Foto: Freepick

Durante a campanha para o primeiro turno das eleições gerais de 2026, pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo deepfake foram publicados nas redes sociais, segundo levantamento do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa, que monitora o uso de inteligência artificial no pleito.

Esses conteúdos representam 60% do total de 920 publicações coletadas entre 16 de agosto e 28 de setembro e analisadas pela iniciativa em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os casos identificados, 29 foram disseminados por perfis de candidatos ou partidos.

O Tribunal Superior Eleitoral proíbe esse tipo de publicação, que pode levar até à cassação da candidatura ou do mandato, desde que esteja caracterizada como propaganda política e tenha verossimilhança suficiente para enganar o eleitor. O relatório também aponta que o uso de IA é permitido apenas quando as peças criadas ou manipuladas com auxílio dessas ferramentas são sinalizadas, o que não ocorreu na maior parte dos casos.

Dos 920 conteúdos identificados, apenas 371 estavam devidamente rotulados como material feito com IA, cerca de 40%. Considerando as 549 publicações irregulares, 75 partiram de candidatos ou partidos.

A maior parte das postagens falsas, 525, foi feita por usuários comuns, incluindo muitos anônimos. Para a pesquisadora responsável pelo relatório, Beatriz Farrugia, isso dificulta a aplicação da lei eleitoral, já que grande parte desses conteúdos parte de contas de usuários e avatares anônimos.

A investigação usa três ferramentas de detecção de IA para buscar indícios de uso dessas tecnologias e, depois, passa por análise dos pesquisadores. Além dos deepfakes, o levantamento também identificou conteúdos sintéticos, nos quais a tecnologia é usada para criar ou modificar aspectos da publicação sem atribuir a uma pessoa falas ou atos que não ocorreram.

De forma geral, a promoção de candidaturas foi a finalidade mais frequente entre os conteúdos analisados, aparecendo em 414 dos 920 casos. Um quarto das publicações trazia ataques contra candidatos ou outras pessoas, e proporção semelhante foi classificada como humor ou sátira.

O cenário nacional foi o mais explorado, com foco nas eleições presidenciais. O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apareceu em 379 publicações, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 190 aparições. No caso de Lula, 39% das publicações eram de humor ou sátira e 34% buscavam atacar sua candidatura. Já entre as publicações com Flávio Bolsonaro, 40% buscavam favorecê-lo e 28% tinham conteúdo humorístico ou satírico.

O relatório também informa que 47% dos autores tinham o perfil de usuários comuns, enquanto 27% das publicações partiram de perfis desconhecidos, proporção maior do que os 24,5% referentes às contas oficiais das candidaturas.

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