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Covid-19: tempo de internação aumentou com adoecimento de mais jovens, diz médico

Especialistas explicam que a média de tempo de internação aumentou devido ao perfil dos jovens, os quais possuem menos comorbidades

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Mayariane Castro e Rayssa Loreen / Agência UniCEUB

Coração acelerado, falta de ar, desespero. Esses sintomas levaram Letícia, de apenas 25 anos ao hospital, e à internação em uma unidade de terapia intensiva, em Brasília. Ela foi diagnosticada com covid-19. No mês de março, o número de jovens, como ela, que precisaram de suporte de atendimento em UTI por conta da doença aumentou 52% , segundo levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

Letícia relata que ficou internada por quatro dias na UTI e que o início de tudo foi assustador. A jovem conta que foi transferida para o local após uma enfermeira perceber que ela estava com baixa na saturação e necessitava de uma máscara de oxigênio. Letícia, que é estudante de psicologia diagnosticada com ansiedade, explica que teve que tomar medicação que acelerou seu coração e sabia que necessitava de uma psicóloga para a ajudar a não ter uma crise.

“Agarrei o pulso de uma enfermeira e pedi que chamasse uma psicóloga porque estava tendo uma crise de pânico. Pouco tempo depois, a psicóloga chegou e me confortou, me disse que a saturação estava em 99 e que eu precisava me acalmar pois não poderia travar minha respiração naquele momento,” relembra a jovem. A taxa de saturação de oxigênio no sangue considerada normal é de 95% a 100%.

O clínico geral Reile Marques explica que a média de tempo de internação aumentou devido ao perfil dos jovens, os quais possuem menos comorbidades. “Pacientes de janeiro a fevereiro ficavam umas três a quatro semanas internados, metade desses dias nem em UTI. Era, em média, de 11 a 14 dias de UTI para três a quatro semanas de internação total”.

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Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12), a Secretaria de Saúde do DF divulgou que no mês de março, o número de pessoas entre 20 e 24 anos internadas por covid-19 aumentou em 3.600% enquanto o número de idosos com mais de 80 anos diminuiu cerca de 9%. O Hospital da Criança de Brasília abriu durante o último mês vagas de UTI com equipamentos que comportam jovens de até 24 anos para dar suporte às internações nesta nova faixa etária que teve um grande aumento no número de casos.

Riscos

O clínico geral Reile Marques explica que um dos motivos é que a vacinação para os idosos, no Distrito Federal, já começou. Sendo assim, o número de pessoas com mais de 65 anos nos leitos está em diminuição. “Se não fizer adequação percentual, veremos muito mais pacientes na UTI agora na faixa etária dos 50 anos”, completa.

No dia 12 de abril, a Secretária de Saúde do Distrito Federal divulgou um boletim sobre as notificações dos casos de covid na região. Pessoas entre 20 e 29 anos representam 17,84%, enquanto as de 30 a 39 constituem 25,58%. Além disso, os dados mostram que os idosos de 60 a 69 anos são apenas 7,4% dos casos.

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Reile Marques destaca que o tratamento de jovens e idosos é o mesmo, o que muda é a gravidade da doença em cada um. “A questão fica por conta de doenças que estão juntas, as comorbidades que o idoso geralmente tem mais. Isso pode dificultar um pouco mais o tratamento”, explica o médico.

Liberação

No caso de Letícia, de 25 anos, ela relata ainda que foi a primeira pessoa a sair da UTI sem ser em uma maca, e que também não precisou se submeter a processos severos do tratamento da covid-19, pois passou menos dias internada

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