O Brasil perde US$ 10, view 7 bilhões por ano com a corrupção, nurse segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), correspondente a R$ 27,1 bilhões (conversão de 5 de dezembro). O valor equivale a 81% do orçamento destinado à Educação no país em 2008, que foi de R$ 33 bilhões.
“No mundo inteiro, estima-se que a perda seja de US$ 1 trilhão por ano. Mas como é difícil quantificar a corrupção, esses números ainda podem ser maiores”, afirma o consultor de economia da organização não-governamental Contas Abertas Gil Castelo Branco.
Ele participou da mesa-redonda Combate à Corrupção no Brasil, realizada pelo Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília na quinta-feira, 4 de dezembro.
FALTA TRANSPARÊNCIA
Branco ressalta que não basta fiscalizar. A sociedade deve participar ativamente no combate à corrupção. No entanto, aponta barreiras como a falta de transparência nas contas públicas. “Com mais informação, as pessoas podem controlar e contribuir para o aprimoramento dos investimentos públicos”, diz.
Para ele, é importante não apenas que os gastos sejam feitos dentro dos trâmites legais, mas que sejam de qualidade. “Há investimentos de má qualidade nos três poderes”, afirma. “Encontramos contas com bebidas, maquiagem e cursos para limpar piscinas”, exemplifica.
DENÚNCIAS – A Controladoria-Geral da União (CGU) recebe cerca de 500 denúncias de corrupção por mês. São casos que vão desde prefeitos roubando até dossiês completos com fotografias e filmagens. Entre 2003 e 2008, foram 2,2 mil fiscalizações decorrentes dessas denúncias. “Fazemos auditorias. Em alguns casos, é difícil avançar por conta da morosidade judiciária”, diz o secretário de prevenção da corrupção e informações estratégicas da CGU, Marcelo Stopanovski Ribeiro.
Na visão da procuradora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Eunice Pereira Carvalhido, a mudança começa no dia-a-dia, como deixar de furar fila, apresentar atestado médico falso ou se fingir de deficiente físico para ser atendido primeiro.
Muito mais que punir, o governo deve investir na prevenção, avalia Eunice. Ela admite, porém, que a atuação preventiva do MPDFT é recente. A primeira campanha, intitulada O que você tem a ver com a corrupção?, começou em 2004. “A iniciativa é centrada na educação das crianças, para que o futuro seja melhor”, diz.