GABRIELA CECCHIN E LUCIANA LAZARINI
FOLHAPRESS
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão da venda, distribuição e consumo de um lote de água mineral sem gás da marca Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em uma amostra do produto. A medida vale apenas para um lote específico fabricado pela Mineração Bom Jesus, em Luziânia (GO).
Segundo a agência, a contaminação foi detectada durante uma fiscalização de rotina realizada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal. Após um teste de contraprova confirmar o resultado, a Anvisa determinou o recolhimento do produto e orientou os consumidores a não ingerirem a água caso tenham unidades do lote em casa.
A fabricante afirma que fez o recolhimento voluntário dos produtos e que cerca de 99% das garrafas já foram retiradas dos pontos de venda. A Anvisa informou que, após publicar comunicado em que informa sobre o recolhimento voluntário, ele passa a ser obrigatório para a empresa.
Veja abaixo o que se sabe sobre o caso.
COMO IDENTIFICAR O LOTE?
É preciso olhar os seguintes dados no rótulo da garrafa de água mineral natural Crystal 500 ml sem gás:
– O número do lote é P 200126
– Na embalagem vai aparecer LZ1 VAL 200127 3 P 200126
– Data de validade: até 20/01/2027
– Data de fabricação: 20/1/2026
A ANVISA MANDOU RECOLHER TODA A ÁGUA CRYSTAL?
Não. A determinação da Anvisa se aplica apenas ao lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, fabricado em 20 de janeiro de 2026 e com validade até 20 de janeiro de 2027. Consumidores devem verificar essas informações na embalagem para saber se possuem uma das unidades afetadas.
Segundo a agência, não há indicação de problemas em outros lotes da marca. A investigação conduzida pelas autoridades sanitárias aponta, até o momento, para uma ocorrência restrita às garrafas identificadas no recolhimento que a empresa começou a fazer antes da determinação da agência reguladora.
ONDE ESSE LOTE FOI VENDIDO?
De acordo com a fabricante, o lote continha cerca de 374,4 mil garrafas de 500 ml.
As unidades foram distribuídas principalmente no Distrito Federal, além de cidades de Goiás, Tocantins e interior de São Paulo.
O lote foi comercializado nos seguintes locais:
DISTRITO FEDERAL
TOCANTINS
nas cidades:
– Arraias
– Combinado Novo Alegre
GOIÁS
nas cidades:
– Águas Lindas de Goiás
– Luziânia
– Novo Gama
– Valparaíso de Goiás
– Cidade Ocidental
– Santo Antônio do Descoberto
– Planaltina de Goiás
– Cristalina
– Formosa
– Campos Belos
– Alexânia
– Abadiânia
– Catalão
SÃO PAULO
nas cidades:
– Sorocaba
– Itapetininga
– Itu
– São Roque
– Tatuí
O QUE É A BACTÉRIA ENCONTRADA NA ÁGUA?
A bactéria identificada é a Pseudomonas aeruginosa, microrganismo amplamente presente no ambiente e que pode ser encontrado em água, solo e superfícies úmidas.
É a mesma bactéria encontrada em produtos líquidos da Ypê que foram alvo de recolhimento no último mês.
COMO A CONTAMINAÇÃO FOI DESCOBERTA?
A presença da bactéria foi identificada em uma amostra coletada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal durante uma ação de rotina em um ponto de venda.
Depois da primeira análise, foi realizado um teste de contraprova previsto nos procedimentos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. O resultado confirmou a presença do microrganismo, levando à interdição do lote e à comunicação do caso à Anvisa.
Segundo a Brasa, desde a notificação da presença da bactéria, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas com resultados negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação.
O QUE FAZER SE EU TIVER UMA GARRAFA DESSE LOTE EM CASA?
A orientação da Anvisa é não consumir o produto.
Os consumidores devem entrar em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da fabricante para solicitar substituição ou reembolso. O atendimento é feito pelo telefone 0800-061-5000 ou pelo email contato@brasal.com.br.
Segundo a empresa, será agendada a coleta da unidade para fazer o recolhimento e a troca do produto.
A EMPRESA EXIGE NOTA FISCAL PARA TROCAR O PRODUTO?
Segundo a fabricante, o consumidor não precisa da nota. A Brasal Refrigerantes diz que o atendente pegará os contatos do consumidor para agendar a visita de recolhimento e troca do produto.
TODAS AS GARRAFAS DE ÁGUA CRYSTAL SÃO ENVASADAS PELA COCA-COLA?
Não necessariamente.
A marca Crystal faz parte do sistema Coca-Cola, mas a produção pode ser realizada por diferentes fabricantes e engarrafadores parceiros.
No caso do lote suspenso pela Anvisa, o produto foi fabricado pela Mineração Bom Jesus, em Luziânia (GO), e o recolhimento está sendo conduzido pela Brasal Refrigerantes.
A Coca-Cola Femsa afirma que o lote alvo da medida foi envasado fora de sua área de operação e não teve participação de sua infraestrutura produtiva ou logística.
A companhia também declarou que suas unidades seguem operando ormalmente e que a água Crystal produzida e distribuída por ela permanece segura para consumo.
AINDA É POSSÍVEL ENCONTRAR ESSE LOTE À VENDA?
A fabricante afirma que essa possibilidade é pequena.
Segundo a empresa, cerca de 99,2% das unidades já foram recolhidas dos pontos de venda após o início da ação preventiva. Ainda assim, a Anvisa orienta os consumidores a conferirem o número do lote antes de consumir o produto.
A INVESTIGAÇÃO FOI ENCERRADA?
Não.
A Anvisa informou que o caso continua sendo acompanhado pela agência e pelas vigilâncias sanitárias envolvidas. A fabricante também apresentou documentos sobre sua investigação interna para apurar a origem da ocorrência e as possíveis causas da contaminação.