O fechamento crescente de postos de trabalho tem deixado em alerta as representações de trabalhadores que temem uma onda de demissões no Brasil. Nesta semana, prescription a União Geral dos Trabalhadores (UGT) participará de assembléias com mais de 10 empresas paulistas e o apelo é: “não demitam”. Os sindicatos filiados a UGT homologaram nos meses de outubro e novembro 16.580 demissões. Já no mesmo período do ano passado foram realizadas 14.354 homologações.
“Existem setores que já estão trabalhando com a metade dos funcionários e outros com apenas 35% dos quadros. São setores de revenda de automóveis, information pills de pneus, assessórios automotivos, auto-peças e papelaria. Outro setor que vem apontando para demissões é o de vestuário. Muitas empresas estão sem dinheiro para pagar o décimo terceiro salário. Vamos nos reunir com as empresas para podermos intermediar o pagamento de parcela do décimo terceiro no próximo ano”, disse Ricardo Patah, presidente da UGT.
A UGT reúne, principalmente, sindicatos ligados ao ramo de comércio e serviços, em São Paulo, metalúrgicos, em Minas Gerais, e representações do setor têxtil de Santa Catarina. “Só o comércio em São Paulo envolve cerca de 430 mil pessoas. A redução desse contingente pela metade pode provocar um impacto enorme. É papel dos sindicatos realizar essa intermediação”, afirmou.
Além disso, as centrais também pediram um plano emergencial de renegociação das dívidas dos assalariados e pequenos empresários com os bancos. Por enquanto, os direitores das centrais contam com o compromisso que eles dizem ter conseguido do governo de levar as propostas adiante. “A ministra Dilma disse que encaminharia a proposta da contrapartida social dentro do governo. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia se comprometeu a colocar em votação em regime de urgência a redução da jornada de trabalho”, disse Ricardo Patah.
A preocupação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai no mesmo caminho e, de acordo com o presidente da entidade, Artur Henrique, as demissões e a falta de crédito para a população serão assuntos tratados esta semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em reunião que deverá ocorrer na próxima sexta-feira (12), em São Paulo.
De acordo com Artur Henrique, não há como conviver, nesse momento, com juros altos para o consumidor além da retenção do crédito que, segundo ele, vem sendo praticada pelas instituições financeiras. “O que cabe para as centrais sindicais nesse momento é dizer ao presidente Lula que ele tem razão quando diz que o povo tem que consumir, mas isso só vai acontecer se ele não tiver a espada da demissão sobre sua cabeça”, disse.
A redução dos juros e medidas para melhorar o acesso ao crédito para Artur Henrique estão na base da política que deve ser adotada e isso, em sua opinião, depende da contribuição do setor financeiro.
“O mundo está reduzindo os juros. Precisamos de menos juros. Além disso, nessa discussão dos créditos, os bancos têm que dar sua contribuição. Eles não podem ficar retendo dinheiro da forma que estão fazendo, sob o argumento falso de que o crédito está saindo aos poucos porque estão analisando os riscos. Se o sistema financeiro tivesse analisado riscos antes, não estaríamos na situação que nós estamos”, afirmou o presidente da CUT.
“Nós precisamos colocar crédito na praça para o comércio para a produção e para o consumo. Para isso, é preciso reduzir taxa de juros, reduzir preços, alongar prazos. Esse é um conjunto de fatores que tem que ser colocado no debate que não depende do governo, mas sim dos empresários”, afirmou ainda Artur Henrique.
Na semana passada, as centrais apresentaram ao governo uma série de propostas com o objetivo de evitar as demissões. Entre as sugestões estão a redução da jornada de trabalho, o limite de horas-extras – no máximo 220 horas ao ano -, o fim do superávit primário, com prioridade para o pagamento de juros da dívida externa e investimento no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a garantia do Piso Nacional da Educação e a proposta de exigência de contrapartidas sociais das empresas que recebem financiamento público.
Essa proposta prevê que os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil devem prever metas de manutenção e geração de empregos. As empresas que recebem esses financiamentos devem cumprir metas a serem estabelecidas proporcionalmente ao montante de dinheiro emprestado com juros subsidiados. A proposta foi apresentada à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e ao secretário especial da Presidência da República, Luiz Dulci.