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Casos de ‘doença da urina preta’ avançam em cinco estados

O maior número de notificações é no Amazonas, onde uma força-tarefa analisa amostras de sangue e soro, além da água dos rios

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Katna Baran

Ao menos cinco estados do Brasil investigam possíveis casos da síndrome de Haff, conhecida como “doença da urina preta”, devido a um dos sintomas da enfermidade. O problema é causado por toxina que pode ser encontrada em peixes e crustáceos. A urina escura é um dos sintomas do quadro de rabdomiólise, marcado pela destruição das fibras que compõem os músculos do corpo.

O maior número de notificações é no Amazonas. Lá uma força-tarefa analisa amostras de sangue e soro de pacientes, além da água dos rios que banham os municípios em que há casos. São observados também peixes que podem estar contaminados e os frutos que servem de alimento para eles. As análises ainda não foram concluídas.

No total, há 61 casos suspeitos de rabdomiólise em dez municípios do estado. Até 22 de agosto, eram 44 notificações, principalmente de Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus. “Todos os pacientes estão estáveis. Estamos monitorando todos os casos. De qualquer forma, estamos investigando para confirmar as possíveis causas desse surto”, afirmou a diretora-técnica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Tatyana Amorim. Segundo ela, um representante do Ministério da Saúde dá suporte às ações. Em nota, a pasta não confirmou a informação e disse que a rabdomiólise não é de notificação compulsória.

No Pará, seis casos suspeitos da síndrome de Haff estão em apuração –um em Belém, um em Trairão e quatro em Santarém, segundo a secretaria de Saúde. O órgão não informou o estado de saúde dos pacientes, apenas que encaminhou amostras de urina e sangue para um laboratório de referência. A pasta também emitiu nota de alerta com orientações para identificação e notificação de casos suspeitos pelos municípios.

No Ceará, até 21 de agosto, foram notificados nove casos suspeitos –quatro homens e cinco mulheres com média de idade de 51 anos, segundo a secretaria de Saúde. Amostras dos peixes foram enviadas para confirmação em laboratório, mas o resultado ainda não foi divulgado.

Conforme a pasta, os pacientes apresentaram a urina escura (vermelha a marrom). Parte dos doentes teve dores de início súbito na região cervical (pescoço, trapézio e dorso) ou de membros inferiores e superiores. Um deles também apresentou febre.

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Na Bahia, após dois anos sem registros, as notificações da síndrome têm reaparecido desde agosto de 2020, quando 40 casos foram confirmados, sem ocorrência de mortes. Em 2021, já são 18 notificações. A secretaria de Saúde do estado esclarece que a doença não possui tratamento específico e que o uso de anti-inflamatórios não é indicado. A recomendação é procurar atendimento imediato em caso de escurecimento da urina.

Para evitar a doença, a pasta orienta que a população consuma pescados ou crustáceos de locais que ofereçam segurança e procure não ingerir o alimento na forma crua.

Em Pernambuco, após a morte de uma paciente com a doença em março, o Ministério Público abriu investigação e realizou audiência pública com autoridades e representantes do setor de alimentação e pesca. De acordo com a secretaria de Saúde do estado, a análise das amostras de pescado apontou que não foi possível afirmar a causa da infecção alimentar que resultou na síndrome de Haff na paciente que morreu. Ainda segundo a pasta, desde então, não houve novos registros de casos.

Procurado, o Ministério da Agricultura informou que todos os casos estão sendo acompanhados pelo Ministério da Saúde.

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