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Brasil

Camelôs protestam contra programa de fiscalização no Rio

Categoria critica o Tolerância Zero, que prevê fiscalização permanente na orla da zona sul a partir de 16 de julho.

Redação Jornal de Brasília

08/07/2026 14h47

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Camelôs de diferentes regiões do Rio de Janeiro fizeram, nesta quarta-feira (8), uma manifestação em frente à sede da prefeitura contra o programa Tolerância Zero contra a Exploração Irregular do Espaço Público. O movimento foi convocado após o anúncio da intensificação do ordenamento urbano na orla da zona sul, com fiscalização permanente prevista para começar em 16 de julho.

Com faixas e palavras de ordem como “Nós queremos trabalhar”, os ambulantes afirmaram que as medidas têm impedido o exercício da atividade e pediram abertura de diálogo direto com o prefeito Eduardo Cavaliere. Durante o ato, trabalhadores ouvidos pela Agência Brasil disseram que a categoria vem sendo associada de forma generalizada ao crime organizado e defenderam punição apenas para quem comete irregularidades.

A prefeitura afirma que o foco do programa é desarticular estruturas ligadas ao crime organizado que exploram ilegalmente pontos comerciais em áreas públicas, e não os trabalhadores regularmente autorizados. Segundo a administração municipal, a atuação será permanente e baseada em ações de inteligência, com fiscalização diária, patrulhamento ostensivo, apreensão de mercadorias irregulares e combate a depósitos clandestinos.

O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, disse que, somando Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, já foram identificados mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente. A prefeitura também informou ter localizado cerca de 22 depósitos clandestinos ligados à logística desse comércio e estimou que a estrutura movimente aproximadamente R$ 100 milhões por ano.

Entre os manifestantes, o vendedor ambulante Marcos da Silva, que trabalha há mais de 20 anos em Copacabana, afirmou nunca ter presenciado cobrança de taxas por criminosos para atuar no calçadão. Ele disse ainda que há ambulantes com protocolos antigos aguardando regularização desde 2001. Já Jéssica Bárbara Cavalcanti, que vende roupas nas proximidades da Escadaria Selarón, na Lapa, relatou estar há cerca de 20 dias sem conseguir trabalhar.

A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, afirmou que o grupo concorda com a fiscalização, mas cobra avanço na regularização dos trabalhadores. Segundo ela, há pessoas cadastradas desde 2009 esperando autorização para atuar legalmente. A representante também disse que o movimento pretende discutir o tema diretamente com o prefeito.

Com informações da Agência Brasil

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