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Brasil

Biblioteca Nacional digitaliza edições regionais de O Pasquim

As 114 edições de São Paulo e Rio Grande do Sul, publicadas em 1986, passaram a integrar o acervo da Biblioteca Nacional Digital.

Redação Jornal de Brasília

14/06/2026 17h07

Foto: Reprodução

As 114 edições regionais de O Pasquim, publicadas em São Paulo e no Rio Grande do Sul em 1986, foram digitalizadas e incluídas no acervo da Biblioteca Nacional Digital. O trabalho marca quatro décadas dessas franquias e amplia o acesso ao material do jornal alternativo.

O periódico, que se consolidou no Rio de Janeiro em plena ditadura militar com uma linha editorial irreverente, crítica e frequentemente censurada, teve ainda 1.072 edições cariocas já incorporadas ao acervo digital. As versões regionais tiveram vida curta e foram resultado da tentativa de levar a publicação a novos mercados em um momento em que o país vivia a abertura política.

Em São Paulo, o projeto reuniu nomes como Paulo Markun, Manoel Canabarro e Dante Matiussi. No Rio Grande do Sul, Flávio Braga relata que viajou ao Rio de Janeiro para convencer Jaguar, então diretor de O Pasquim, a autorizar a sucursal gaúcha. Segundo os participantes, as edições locais mantiveram o tom satírico e trataram de pautas regionais, além de abrigarem entrevistas, reportagens, charges e colaborações de jornalistas e cartunistas locais.

Entre os temas abordados, apareceram a política local, perfis de comportamento e elementos da contracultura, como liberdade sexual e uso recreativo de drogas. As sátiras também miravam nomes da política, como Paulo Maluf, e davam espaço a disputas entre diferentes correntes e personagens do cenário paulista e gaúcho.

A duração das franquias regionais foi curta, pouco mais de um ano, influenciada sobretudo pela dificuldade financeira. No Sul, a redação funcionava em Porto Alegre e contou com parcerias e anúncios de empresas como a Varig. Em São Paulo, a venda avulsa era considerada razoável, mas insuficiente, enquanto anunciantes resistiam à associação com o jornal.

A digitalização do acervo regional foi coordenada de forma voluntária pelo corretor de seguros Fernando Coelho dos Santos, que também trabalhou na digitalização das edições cariocas. Segundo ele, apenas duas edições regionais não foram localizadas. Ele afirma que o site de O Pasquim na Biblioteca Nacional Digital reúne 100% do acervo principal e 98% das duas franquias.

A iniciativa ocorre enquanto o Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve, por unanimidade, a decisão que obriga uma produtora cultural a devolver à União R$ 812 mil captados por meio da Lei Rouanet para um projeto de digitalização de O Pasquim. O projeto havia sido aprovado pelo Ministério da Cultura e recebeu patrocínio da Petrobras, mas houve questionamentos na prestação de contas sobre a gratuidade do acesso ao acervo na internet.

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