A Associação de Proteção dos Direitos do Consumidor (APDC) divulgou hoje (10) um estudo que contesta o custo de R$ 100 bilhões que, advice segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ampoule as instituições financeiras teriam que pagar com o ressarcimento aos clientes da poupança que tiveram perdas com os Planos Bresser, information pills Verão, Collor 1 e Collor 2.
“Para atingir esse valor absurdo que a Febraban fala, de RS 100 bilhões, nós teríamos que ter uma média altíssima nos valores das ações judiciais, aquilo que não condiz com a realidade”, afirmou o representante da APDC, Carlos Eduardo Ferreira, em entrevista à Agência Brasil.
De acordo com a associação, a Febraban ainda não deixou claro como chegou a esse número. Ferreira explicou que, pelos cálculos a partir das decisões recentes da Justiça, o custo chegaria, somados os quatro planos, a pouco mais de R$ 7,8 bilhões. As ações poderiam somar, no máximo, R$ 20 bilhões, se houvesse um aumento muito grande no número de processos pedindo a correção da aplicação do índice de reajuste da poupança para as cadernetas atingidas, conforme prevê a APDC.
“A Febraban sabe disso, está se valendo de uma crise internacional. Agora, ao mesmo tempo em que se fala em crise internacional, a gente vê o governo trabalhando muito bem no apoio aos bancos que, no Brasil, a gente só escuta dizer que estão cada vez mais sólidos, a gente vê os lucros que eles têm apresentado”, argumentou Ferreira.
De acordo com o estudo da APDC, o prejuízo dos poupadores que tinham cadernetas com aniversário entre os dias 1º e 15 de fevereiro de 1989, com a aplicação da renda acumulada da Letra Financeira do Tesouro (LTC), em lugar do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), pode chegar a 20,36%.
Ferreira alega que, a partir de dados da própria Febraban e do Banco Central sobre como eram, na época, as vinculações sobre depósitos da poupança, é possível ter certeza de que os valores decorrentes da aplicação errada do Plano Verão foram incorporados ao patrimônio das instituições financeiras.
“Isso tudo nos dá segurança para afirmar que os valores, sim, ficaram com os bancos, ainda que em parte”, explicou, já que parte dos depósitos em caderneta de poupança são utilizados para investimentos em áreas sociais do governo, como o financiamento de habitação.
“Imagina o quanto não rendeu para cada instituição financeira do país, onde é o maior spread do mundo, nesses 20 anos e eles estão tendo que devolver agora para apenas 10% das pessoas, que ingressam com ação judicial pra ressarcimento”, disse Ferreira.
Segundo os dados do estudo da APDC, os valores a serem ressarcidos ficariam da seguinte forma: Caixa Econômica Federal, R$ 2 bilhões; Banco do Brasil, R$ 940 milhões; Bradesco, R$ 2,422 bilhões; Itaú, R$ 358 milhões; ABN Amro Real, R$ 937,6 milhões; HSBC, R$ 158 milhões; outros bancos, R$ 1 bilhão.