Destaque do Pinheiros/Blue Life da última Superliga feminina, Andréia Sforzin foi a único meio-de-rede a figurar entre as dez melhores atacantes da competição: em terceiro lugar nas estatísticas, ela ficou à frente de nomes consagrados como Sassá e Érika. Com pouca atenção da mídia e dos torcedores, entretanto, ela embarcou para a Coréia do Sul neste sábado, onde irá defender a GS Caltex, ainda sonhando com uma vaga de destaque no vôlei nacional.
“Espero que esta transferência me abra portas para mercados na própria Ásia, na Europa e no Brasil. Terei muito respaldo lá, o clube para o qual vou possui uma ótima estrutura”, comenta a atleta, que será a primeira brasileira a atuar no voleibol do país. “Pretendo fazer com que o meu jogo cresça”, emenda.
Vice-campeã mundial infanto-juvenil em 1999 e campeã mundial juvenil em 2001 ao lado de Jaqueline Carvalho, Andréia nunca foi chamada para o time adulto do Brasil. Sem mágoas, ela atribui isso ao fato de ter “apenas” 1,88m, estatura relativamente baixa para a sua posição.
“Eu sei que o Zé Roberto nunca convocaria uma meio da minha altura. No cenário mundial, não há muitas jogadoras baixas nesta posição, mas vou trabalhar por uma convocação. Apesar de ter sido transferida recentemente para a ponta, a Valeskinha é um exemplo de que é possível conseguir”, assegura.
Para defender o time nacional, ela até cogita a hipótese de mudar de posição no futuro. “Neste momento não pretendo fazer isso, até porque estou indo para a Coréia. Porém, se algum técnico me pedisse para mudar, eu toparia. Só que teria que ser dentro do ataque mesmo, nada de ser líbero”, brinca.
Ao contrário da maioria das atletas, Andréia ainda se diz favorável ao novo ranqueamento da Confederação Brasileira de Vôlei, que teve como efeito imediato a saída do país de jogadoras de alto nível como Mari, Érika e Jaqueline. “Para mim, o ranking da CBV foi bom. Acho que não teria problemas em me manter por aqui. Fui para a Coréia por opção mesmo. Acredito que lá terei um grande crescimento profissional”, comenta a meio, que recebeu propostas do Minas e foi sondada pelo Brasil Telecom e pelo Macaé. “O ranking vai dar uma maior misturada nas jogadoras, o que vai atrair mais patrocinadores e mídia. É um investimento a longo prazo”, opina.
A milhares de quilômetros do Brasil na próxima temporada, Sforzin não teme o esquecimento neste ano em que vai permanecer na Coréia. “Se as pessoas não quiserem me ver, elas não verão. Acredito que o pessoal vai manter o contato comigo. Não vou aprender a jogar vôlei lá e sim tentar me aperfeiçoar. É mentira dizer que não vou ter mercado quando voltar”, comenta.
Ela, porém, admite que vai encontrar muitas dificuldades no Oriente. “Uma tradutora está indo comigo, mas durante os jogos costumo me comunicar muito com as outras jogadoras e ela não vai poder me ajudar dentro de quadra até porque as outras atletas não falam inglês fluentemente”, aponta a meio, que gostou do que viu na visita que fez ao país no mês de maio.
“Tomei um susto quando recebi a proposta. Até então só havia ouvido que o Kid jogou lá. Se eu não tivesse visitado o país, não teria me transferido, mas a ida para a Coréia será muito boa para mim tanto no lado pessoal quanto no aspecto profissional”, acredita.
Em fase de adaptação ao novo país, Andréia ficará treinando até a primeira competição da GS Caltex no ano, os Jogos de Verão, que serão disputados entre os dias 14 e 24 de setembro. Depois, ela fica cerca de 15 dias de férias no Brasil, antes de iniciar preparação para o Campeonato Nacional Coreano, que começa a ser disputado no mês de dezembro.