No Brasil, capsule de cada 100 armas, 97 ainda não foram cadastradas na Polícia Federal. A estimativa é da organização não-governamental Viva Rio. De acordo com eles, 17 milhões de armas de fogo estão em circulação no território nacional.
Apesar da baixa participação, o número de armas de fogo recadastradas no Brasil aumentou 640% desde o início da campanha, há cinco anos. Nesse período, o número passou de 15.684 para 116.130.
Para especialistas da Universidade de Brasília, o resultado está longe de ser satisfatório. O professor do Observatório de Violência da UnB Edgar Merchan avalia que o comércio de armamentos é um dos mais lucrativos do país, o que dificulta a ação.
Ele aponta que nem mesmo as pessoas que usam os revólveres para a sua segurança estão dispostas a se recadastrar. “Elas vêem isso como uma restrição à liberdade, sendo que é para a segurança delas”, observa Merchan. “Se esses cidadãos não fazem o registro, não será o crime organizado é que fará”, diz.
EDUCAÇÃO
Na opinião da professora do Departamento de Sociologia da UnB Maria Stela Grossi Porto, não basta incentivar o recadastramento. “Apenas registrar gera uma situação complexa, pois a maioria das armas está com os criminosos”, aponta. O governo, diz ela, deve fazer uma campanha intensa de desarmamento.
De fato, dados da ONG Viva Rio apontam que somente 50% das armas de fogo em circulação no país são legais; 27% são ilegais de uso informal e 23% são ilegais de uso criminal. “Uma possibilidade nos âmbitos públicos seria a apreensão”, acrescenta Merchan.
Favorável ao desarmamento, ele argumenta que muitos homicídios são por motivos fúteis. Se uma pessoa tem um revólver e se envolve em briga com um vizinho ou no trânsito, ela pode cometer um homicídio. No entanto, todas essas situações poderiam ser resolvidas de forma pacífica.