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17º feminicídio: caso Letícia choca, mas não surpreende

Mais uma mulher teve sonhos e planos interrompidos no DF. Só em 2019, 17 famílias estão tendo de seguir a vida com a ausência uma figura importante por conta do crime de feminicídio

Willian Matos

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Willian Matos
redacao@grupojbr.com

A morte de Letícia Melo Sousa Curado, de 26 anos, chocou o Distrito Federal. O desaparecimento da vítima, que não dava notícias desde a última sexta-feira (23), mobilizou a mídia e a população local como um todo. Pessoas passaram a compartilhar o sumiço da advogada, com números de contato disponíveis para caso alguém tivesse alguma pista.

Foto: Reprodução/Instagram

O desfecho do caso foi o pior possível, mas que já não tem causado surpresa em ninguém: um homem interrompeu a vida, os planos e os sonhos de uma mulher. Não só de uma mulher, mas de toda uma família. Isso foi notícia por 17 vezes em 2019 no Distrito Federal.

Letícia era casada com Kaio Fonseca, de 25 anos. Advogada, ela fazia pós-graduação em Ordem Jurídica no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), visando ingressar na promotoria pública. Evangélica, a moça vivia demonstrando amor à sua família.

https://www.instagram.com/p/BxawFeXAeQ7/

Em nota, a instituição se comunicou sobre o caso. “A Fundação e toda a nossa comunidade acadêmica se unem em oração aos familiares e amigos de Letícia Sousa Curado. Nossos corações estão em luto com a confirmação da morte de nossa querida aluna. Lembraremos dela como uma mulher determinada, estudante dedicada, colega presente. Uma jovem repleta de força de vontade e que tinha toda a vida pela frente, mas que infelizmente foi ceifada por conta da violência”, conta a nota. As aulas da última segunda-feira (26), dia em que o corpo de Letícia foi encontrado, foram suspensas.

Serial Killer

Letícia foi morta por Marinésio dos Santos Olinto, de 41 anos. Inicialmente, a informação que se tinha sobre Marinésio era que ele é cozinheiro, casado, tem uma filha de 16 anos e não tinha antecedentes criminais. Porém, a ideia de que se tratava de um homem trabalhador e inocente logo caiu.

Inicialmente, Marinésio disse à polícia que não havia matado Letícia. Perguntado sobre os objetos da vítima no carro dele, ele disse que havia comprado, o que não faz algum sentido. Depois, decidiu confessar. Afirmou que matou a advogada porque ela — uma mulher casada — recusou uma investida sexual dele.

Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, confessou que matou duas mulheres em 2019. Foto: Divulgação/PCDF

No dia do crime, o suspeito passou pela parada onde Letícia estava, a viu sozinha e retornou. Fingiu fazer transporte clandestino para o Plano Piloto e ofereceu carona à moça. Ela, com pressa para chegar ao trabalho, onde atuava como funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC), aceitou. Ele, então, se aproveitou para tentar abusar dela sexualmente. Após encontrar resistência da vítima, Marinésio a enforcou até a morte.

Na delegacia, o homem confessou também a autoria de outro assassinato: Genir Pereira de Sousa, 47 anos, encontrada morta também em um matagal, no dia 12 de junho, entre Planaltina e Paranoá. No início da noite de segunda (26), outras três mulheres, supostas vítimas do cozinheiro, procuraram a polícia para reconhecer o agressor, o que leva os agentes da 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) a tratar Marinésio como um serial killer (assassino em série).

Outros casos

Como dito anteriormente, o caso choca, mas não surpreende. Letícia Sousa Curado representa o 17º feminicídio em oito meses no Distrito Federal. Mais uma mulher morta por um homem simplesmente por ser mulher.

Agora, o marido de Letícia, Kaio Fonseca, tentará seguir a vida. Tem a missão de cuidar do filho de três anos que, a partir de agora, tem a mãe apenas como uma figura.

Assim como a família de Letícia, outras tentam levar a rotina comum mesmo sentindo a falta de uma pessoa que foi vítima de feminicídio. É o que tem feito os familiares de Jacqueline dos Santos Pereira, Genir Pereira de Sousa (também morta por Marinésio), Joyce O. Azevedo, Patrícia Alice de Sousa, entre outras.

Vítimas de feminicídio em 2019

Patrícia Alice de Sousa
04/01
23 anos

Vanilma dos Santos
05/01
30 anos

Diva Maria Maia da Silva
28/01
69 anos

Veigma Martins
30/01
56 anos

Cevilha Moreira dos Santos
11/03
45 anos

Maria dos Santos Gaudêncio
17/03
52 anos

Edileuza Gomes de Lima
29/03
68 anos

Isabella Borges
31/03
25 anos

Luana Bezerra da Silva
14/04
28 anos

Elaine Maria Sousa
21/04
49 anos

Jacqueline dos Santos Pereira
06/05
39 anos

Cacia Regina Pereira da Silva
09/05
47 anos

Maria de Jesus do Nascimento Lima
09/05
29 anos

Débora Tereza Correa
20/05
43 anos

Genir Pereira de Sousa
22/06
47 anos

Joyce O. Azevedo
22/07
21 anos

Letícia Sousa Curado
26/08
26 anos


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