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Teatro republicano e temor de violência ofuscam sessão que sela vitória de Biden

Donald Trump busca outros ganhos, como manter apoiadores engajados e o reforço da narrativa falsa de que houve fraude

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Rafael Balago
São Paulo, SP

Donald Trump transformou 6 de janeiro em uma espécie de “Dia D” de sua guerra para tentar reverter o resultado da eleição que perdeu. As chances de que consiga um novo mandato desta forma, porém, são praticamente nulas. Ainda assim, o presidente busca outros ganhos, como manter apoiadores engajados e o reforço da narrativa falsa de que houve fraude.

Nesta quarta, o Congresso fará uma sessão conjunta para somar os votos dos delegados do Colégio Eleitoral e declarar Joe Biden como vencedor da eleição, por 306 a 232 votos. A cerimônia é momento simbólico, comparável à diplomação presidencial feita pelo TSE no Brasil. Mas neste ano o evento virou outro palco para Trump, que fala em fraudes sem apresentar provas.

O plano do republicano para este dia inclui uma grande manifestação nas ruas de Washington e o questionamento de parlamentares sobre o resultado das urnas durante a sessão no Congresso.

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O dia começará com a Marcha para Trump pela manhã, nos arredores da Casa Branca, e deve seguir ao longo do dia. Postagens na internet citam caravanas saindo de vários estados, e o próprio presidente promete participar do ato, que pede “transparência e proteção à integridade da eleição”. Roger Stone, lobista indultado por Trump, e Rudy Giuliani, advogado do republicano, devem estar presentes.

A manifestação também deve atrair ativistas de extrema direita. Como muitos deles costumam andar armados, há temor de confrontos na capital –mesmo com restrições ao porte de armas no ato. Por isso, a prefeita, a democrata Muriel Bowser, pediu reforço da Guarda Nacional.

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Às 13h (15h em Brasília), começa a sessão no Congresso. Ali, os votos dos delegados serão abertos e lidos pelo vice Mike Pence, que comandará a cerimônia por acumular o cargo de presidente do Senado. Ele será um mestre de cerimônias, sem poder para mudar o andamento da sessão por conta própria.

Durante o anúncio dos votos, há espaço para que parlamentares questionem a validade dos apoios, e ao menos 11 senadores republicanos já afirmaram que recorrerão ao dispositivo. Por vias legais, este plano não tem como dar certo: para invalidar votos dos delegados, é preciso de aprovação por maioria simples no Senado e na Câmara. Nesta última, os democratas possuem mais da metade dos assentos, e eles não votarão para tirar a Presidência de Biden, também democrata.

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A contestação precisa ser feita estado por estado, o que também minimiza as chances de sucesso. Biden venceu em diversas regiões decisivas, de modo que reverter o placar em apenas um deles tampouco mudaria o resultado final. No entanto, os pedidos podem atrasar a certificação.

Cada questionamento oficial demanda uma análise nas duas Casas, que deve ser feita em até duas horas. Se houver pedidos de reanálise em seis estados, por exemplo, a cerimônia pode se estender até a madrugada, enquanto protestos ainda poderão estar ocorrendo do lado de fora.

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“Quanto mais esse processo demorar, mais se criará tensão em Washington, o que pode ser usado para alimentar a narrativa de que se tramou um golpe contra Trump”, analisa Felipe Loureiro, coordenador do curso de Relações Internacionais da USP.

Os parlamentares republicanos aliados ao presidente também devem aproveitar a ocasião para ficarem mais conhecidos e tentarem se aproximar dos eleitores de Trump, que teve 74 milhões de votos populares em novembro –Biden somou 81 milhões.

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“Como vocês podem imaginar, estou sendo pressionado pelo establishment de Washington e Wall Street a ignorar a vontade das pessoas e evitar levantar a questão”, disse o senador Josh Hawley, em um pedido de doações, citado pelo New York Times em reportagem. Republicano, ele defende questionar o resultado das urnas, embora Trump tenha vencido no Missouri, estado que ele representa.

A postura contestadora racha o Partido Republicano. O senador Ben Sasse, do Nebraska, acusou o grupo de apontar “uma arma carregada ao coração de um governo legítimo”. Já o senador John C. Danforth, também do Missouri, disse que os questionamentos são parte de uma estratégia populista para dividir a América ao promover teorias da conspiração. “É o oposto de ser conservador, é ser radical”, defendeu.

Ao final da apuração e dos possíveis questionamentos, caberá a Pence anunciar oficialmente a vitória de Biden, em momento transmitido pela TV.

Desde que o Código Eleitoral de 1887 entrou em vigor, houve apenas dois questionamentos aos votos do Colégio Eleitoral. Em 1969, um delegado da Carolina do Norte votou em um candidato que defendia a segregação racial em vez de seguir a votação popular, que elegeu Richard Nixon.

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No plenário, esse voto foi questionado. E, em 2005, uma senadora democrata questionou o resultado de Ohio, alegando supressão de votos. Ambos os pedidos foram rejeitados nas votações.

Vencida esta etapa de certificação, o próximo e último evento da transição de poder será a posse de Biden como presidente, no dia 20 de janeiro. Há dúvidas se Trump irá à cerimônia –não será surpresa se ele fizer um comício próprio ao mesmo tempo em que o democrata é empossado.

Resta ver quem o acompanharia neste palco.

As informações são da Folhapress




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