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Polícia chavista matou 14 por dia em 2018, diz ONU

Maioria das mortes ocorreu pelas mãos da Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes), criada pelo presidente Nicolás Maduro para “combater o crime”

Willian Matos

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A ONU publicou ontem um relatório que documenta a execução extrajudicial de 5.287 pessoas na Venezuela em 2018 – 14 assassinatos por dia. O relatório foi elaborado por uma equipe chefiada por Michelle Bachelet, alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, que visitou o país recentemente.

A maioria das mortes ocorreu pelas mãos da Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes), criada pelo presidente Nicolás Maduro para “combater o crime”. O Faes, segundo a ONU, é o principal violador de direitos humanos na Venezuela. Para opositores, o grupo opera como um esquadrão da morte do regime. 

As execuções extrajudiciais são documentadas pela Justiça chavista como “resistência” à ação policial. Este ano, até maio, foram mais de 1,5 mil mortes por agentes de segurança, a maioria da Faes. Em muitos casos, drogas são colocadas junto às vítimas para forjar uma denúncia por narcotráfico.

Bachelet visitou a Venezuela no mês passado para investigar possíveis violações atribuídas ao governo Maduro. No relatório, ela afirma também ter registrado 66 mortes em protestos contra o regime chavista, que começaram em janeiro. Destas, 52 foram cometidas por forças do governo ou milícias leais ao chavismo.

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O relatório afirma que 793 pessoas foram presas por se opor ao regime, sendo 22 delas parlamentares de oposição. “Poucas pessoas recorrem à Justiça por medo de retaliação ou por desconfiança nas instituições”, diz o texto. “A Procuradoria se omite na obrigação de apresentar denúncias contra esses criminosos e a Controladoria se omite perante as violações de direitos humanos.”

Apesar de a economia da Venezuela ter entrado em crise bem antes das sanções impostas pelo governo americano, a situação deve piorar nos próximos meses em razão das restrições, segundo o texto. “Além disso, o acesso a comida e remédios permanece escasso e controlado politicamente pelo governo”, afirma a ONU.

O governo venezuelano, que negociou a visita de Bachelet com a ONU e aceitou libertar alguns presos políticos, contestou o relatório. O chavismo apresentou ontem 70 pontos do relatório que julga serem “parciais” ou “incorretos”. 

“O relatório apresenta uma visão seletiva sobre a verdadeira situação dos direitos humanos na Venezuela”, disse a chancelaria venezuelana, em nota. “A metodologia para sua elaboração é fraca e omite os avanços obtidos pela Venezuela em matéria de direitos humanos.” 

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Ontem, o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, um dos principais nomes da oposição ao chavismo, pediu a Bachelet que envie o relatório à Corte Penal Internacional, para que abra um processo contra Maduro por “graves violações” dos direitos humanos na Venezuela. “Os crimes de Maduro não podem ficar impunes”, disse.

Para o coordenador da ONG venezuelana Provea, Rafael Uzcátegui, o relatório tem valor simbólico. “O relatório da ONU não traz nenhuma novidade para quem está bem informado sobre a Venezuela. Mas é inegável que tem valor simbólico diante daqueles que persistem em apoiar um governo antidemocrático”, escreveu Uzcátegui no Twitter. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

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