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‘Não somos leprosos’, reage ministro da Itália a restrições de vizinhos europeus

A irritação é resposta a barreiras crescentes que países vizinhos estão criando para quem chega de locais mais atingidos pela pandemia de coronavírus

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Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas, Bélgica

“Exigimos respeito. Se alguém acha que pode nos tratar como leprosos, saiba que não vamos ficar quietos. Paciência tem limite”, desabafou Luigi di Maio, ministro das Relações Exteriores da Itália, em uma conta de rede social.

A irritação é resposta a barreiras crescentes que países vizinhos estão criando para quem chega de locais mais atingidos pela pandemia de coronavírus.

Primeiro país a decretar uma quarentena ampla, no começo de março, a Itália reabriu nesta semana suas fronteiras para viajantes europeus, mas está sendo incluída nas listas vermelhas e laranjas de alguns países, como Áustria, Eslovênia, Suíça, Croácia e República Tcheca.

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Até a Espanha, que já esteve entre os países mais afetados, mas vem registrando números baixos de contágio e mortes, afirmou que abrirá “gradualmente” suas fronteiras a turistas europeus “de países com taxas de infecção relativamente baixas”.

Di Maio pediu uma resposta da União Europeia em defesa do espírito europeu. “Ou a Europa desaba”, ameaçou.

A Comissão Europeia (o Poder Executivo da UE), porém, já afirmou que aceita restrições baseadas em “perfis epidemiológicos semelhantes”; condena apenas as baseadas em nacionalidade ou outro tipo de discriminação pessoal.

O bloco vem há semanas se reunindo sobre a reabertura das fronteiras, mas a coordenação ainda não costurada já está sendo atropelada por iniciativas individuais dos países.

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A Croácia já abriu suas fronteiras para 10 países europeus, mas não para a Itália, que também ficará de fora, nesta quinta (4), da reabertura da Áustria para oito vizinhos.

Viajantes que quiserem cruzar o território austríaco em direção ao país mediterrâneo ou voltando de lá não poderão parar para abastecer o carro, tomar um lanche nem para ir ao banheiro. A polícia ficará de guarda nos postos de gasolina e promete aplicar multas de até EUR 1.450 (cerca de R$ 8.700).

A Suíça excluiu a Itália do acordo com França, Áustria e Alemanha para reabrir fronteiras comuns, e a Eslovênia exige de visitantes italianos teste para Covid-19 negativo ou quarentena obrigatória.

Além de Reino Unido e Itália, vistos com suspeita por terem o maior número de mortes por Covid-19 no continente, a Suécia está sendo excluída por não ter adotado quarentenas rígidas.

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Dinamarca e Noruega avisaram que a partir do dia 15 estão abertas para turistas da Escandinávia (e a Dinamarca, também da Alemanha), mas suecos ainda estão proibidos de entrar.

Reino Unido e Suécia estão na lista vermelha da República Tcheca, e quem vier desses países terá que apresentar resultado negativo para coronavírus para ter a entrada permitida.

A Itália é considerada de risco médio pelo governo tcheco, ao lado de Espanha, França, Bélgica e Irlanda: viajantes tchecos podem ir a esses países sem restrições, mas quem vier de lá terá que comprovar que não está infectado.

De 15 de junho a 1º de julho, a Grécia vai testar passageiros que chegarem de países classificados como “de alto risco”. Dependendo do resultado, eles serão isolados por 7 ou 14 dias.

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No caso do Reino Unido, além da evolução do coronavírus, um complicador é a quarentena de 14 dias para qualquer pessoa que venha do exterior, que está levando países europeus a devolverem a gentileza.

Holanda e França já anunciaram que britânicos terão que seguir a mesma regra em seus países, e a Alemanha não deve proibir viagens, mas vai recomendar países que devem ser evitados, entre eles o Reino Unido, por causa da quarentena.

Portugal, que tem nos britânicos seus principais turistas estrangeiros, está negociando um corredor entre os dois países, para tentar evitar a necessidade de isolamento por duas semanas.

As informações são da FolhaPress


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