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Em áudio, Flávio Bolsonaro pede US$ 24 milhões a Vorcaro para financiar filme sobre Bolsonaro

Banqueiro foi preso um dia após troca de mensagens com senador candidato à presidência

Redação Jornal de Brasília

13/05/2026 15h38

Foto montagem: Reprodução/Banco Master e Evaristo SA/AFP

Foto montagem: Reprodução/Banco Master e Evaristo SA/AFP

Um conjunto de mensagens revelam que o senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, teria cobrado do banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar o filme Dark Horse, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os documentos, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para viabilizar o projeto cinematográfico.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz mensagem enviada pelo senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro em 16 de novembro de 2025, pelo WhatsApp.

Um dia depois da conversa, Vorcaro foi preso enquanto tentava deixar o país. Ele é acusado de operar um esquema de fraude que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.

A apuração foi revelada pelo Intercept Brasil, que afirma ter obtido com exclusividade comprovantes bancários, cronogramas de desembolso e mensagens relacionadas aos pagamentos. Os registros indicam que ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas à produção do filme.

Os documentos também mostram cobranças relacionadas às parcelas previstas no acordo. No entanto, não há indícios de que os outros oito pagamentos previstos tenham sido efetuados.

De acordo com os registros, a negociação envolvendo Vorcaro teria sido conduzida diretamente por Flávio Bolsonaro, com participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro.

As mensagens privadas e os documentos obtidos indicam uma relação financeira próxima entre integrantes da família Bolsonaro e o banqueiro.

Outro lado

Publicamente, porém, Flávio havia negado vínculos entre a direita e Vorcaro. Em março deste ano, após a divulgação de que o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, teria doado R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro, o senador afirmou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal”.

Na ocasião, Flávio também declarou que “essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”. Em evento de pré-campanha em João Pessoa, na Paraíba, ele classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Nesta quarta-feira (13), o senador foi questionado presencialmente por jornalistas do Intercept sobre o suposto financiamento do filme. Segundo a reportagem, Flávio respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, riu e deixou o local onde concedia entrevista próximo ao Supremo Tribunal Federal, após reunião com o ministro Edson Fachin.

O senador também teria sido procurado anteriormente por telefone, WhatsApp e e-mail, mas não respondeu até a publicação da reportagem. A defesa de Daniel Vorcaro igualmente não se manifestou. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também não responderam aos questionamentos enviados pelo Intercept, que informou manter o espaço aberto para manifestações futuras.

Ouça o áudio na íntegra

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