Nos bastidores, é dado como certo que a montagem da proposta de delação premiada do banqueiro daniel Vorcaro, do Banco Master, tem como prioridade conquistar a PGR (Procuradoria Geral da República), ao mesmo tempo em que busca reverter o sentimento corporativista da Polícia Federal, responsável pela investigação. Até porque, delegados e investigadores não esquecem com facilidade as tentativas de desmoralizá-los, no curso de uma investigação.
Advogados e procuradores da república que já trabalharam ou conviveram com o advogado José Luiz Oliveira Lima, o conhecido Juca, responsável pela montagem da delação de Vorcaro, apostam na apresentação de um texto cirúrgico, sobretudo por se tratar de um procedimento que é negociado com a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal, simultaneamente , numa parceria feroz e protetora.
Tudo corre com a chancela de confidencialidade. Ninguém fala na PF, nem na PGR, e muito menos entre os advogados envolvidos.
Mas nem tudo fica represado, sobretudo quando escapa fragmentos das conversas ao telefone, de um advogado sentado à mesa de um dos restaurantes mais caros de Brasília.
Meticulosa, advocacia de José Luiz Oliveira Lima sabe que caminha no fio de uma navalha ao citar Toffoli e Alexandre Moraes sem a força de provas de crimes, para não cair em esparrelas que ocasionem uma eventual rejeição de uma primeira versão da delação a ser proposta pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Até porque, o relato para o suposto envolvimento de políticos como Ciro Nogueira e Antônio Rueda no esquema criminoso não aflige os pais da proposta do texto da delação de Vorcaro, visto que existe uma percepção que favorece a carregar na tinta contra o “núcleo” político nas operações envolvendo o Master e Vorcaro.
Segundo fontes, não vai ser fácil “amaciar” a delação, depois da a PF apontar para suposta utilização de Toffoli em aviões da Prime aviation, empresa do qual Vorcaro era sócio. Algo que, inclusive, veio bem antes de Toffoli assumir a relatoria no caso master, decretando sigilo máximo e puxando todas as decisões do caso para si, dentro do STF. Ato contínuo, para complicar ainda mais o meio de campo , o ministro Toffoli restringiu o acesso as provas colhidas pela PF, para revolta dos investigadores da PF.
Segundo as mesmas fontes, a vida está bem mais fácil para a delação em fase de montagem, quando a abordagem diz respeito ao envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, dentro do contexto da delação premiada da ser proposta por Vorcaro. Até agora, o envolvimento de Moraes é tratado pelos advogados como periférico ou institucional.
A brandura esperada na parte em que citará Alexandre de Moraes está assentada na falta de Atos de Ofício ou decisões de Moraes que tenham “salvado” o Master ou Vorcaro, num padrão diferente condutas de Toffoli. Ainda que o escritório de advocacia de esposa tenha fechado um contrato milionário com o banco Master. Algo que, aliás, está na mira de uma num eventual código de ética para o STF, defendido pelo presidente Fachin.
Sem misturar o CPF de Alexandre de Moraes com o CNPJ do escritório da doutora Viviane Barci, tamos uma caso em que uma manifestação de Moraes contra a esposa pode resultar numa DR interminável para o casal. Inclusive porque uma “culpa” atribuída à Doutora Viviane desqualifica o padrão de qualidade de um escritório com fama de alto padrão técnico.
Desde a assinatura do termo de confidencialidade, autorizado pelo relator do inquérito do Master, Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ninguém quer ou pode falar sobre esse assunto. Ou seja: se publicar o vazamento, acaba perde a fonte.
Mas se surgir o vazamento dos supostos vídeos das festas de invocaram na casa de Trancoso, Bahia, tudo pode mudar na história desse processo.