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Natalie Portman protagoniza um “Nasce uma Estrela” às avessas

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Muitos musicais são realizados com o formato quase intacto: ele é a extensão de palcos da Broadway, ou seja, toda a narrativa é contaminada por uma cena em que o entusiasmo dos protagonistas ganham formas e danças e em um piscar de olhos, todo o diálogo se transmuta em uma coreografia mirabolante. Em suma, esta é a priori de um musical, entretanto, Vox Lux – O Preço da Fama, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28) mostra um lado inverso desse cenário melodioso.

Estrelado por Natalie Portman, o filme conta a história de Celeste, uma menina que vê sua vida mudar da noite para o dia por conta de uma enorme tragédia. Graciosa e frágil, ao lado da sua irmã, Ellie, Celeste vai trilhando o caminho da fama e conhecendo os maléficios de ser uma diva do pop.

Raffey Cassidy como Celeste na juventude. Foto – Divulgação

Poucos musicais de Hollywood conseguiram o feito de seguir contrafluxo ao convencional. Assim como Rocky Horror Picture Show, Tommy e Hedwig – Rock, Amor e Traição, Vox Lux – O Preço da Fama traz todas as ferramentas do cinema experimental para criar algo novo. Existe passagens analógicas, tremidas e subjetivas na película.

Visual “dope” de Vox Lux reitera a junção do experimental ao comercial. Foto – Divulgação

Sendo o segundo trabalho do diretor Brady Corbet (anteriormente astro mirim e ator de filmes pequenos como Martha Marcy May Marlene e Violência Gratuita), Vox Lux consegue alinhar dois argumentos sobre a fama de maneira atroz. No primeiro, uma tragédia é a justificativa para a fama, a segunda, o talento. Em alguns momentos, Corbet, que também escreveu o roteiro, demonstra – mesmo que muito raso – como existe uma hipocrisia entre criticar o mundo pop e ao mesmo tempo admirá-lo.

Como Corbet não soube dar muita dimensão neste momento delicado do longa, a atuação de Natalie Portman o faz. Sendo muito difícil uma atuação pífia em sua carreira atual, a atriz atinge um pico admirável com sua personagem. Todas as augustias e agressividades fortaleceram o modus operanti de Celeste e cada aresta dela é deixada na carne viva por Natalie Portman. Perfomance digna de premiações.

Natalie Portman como Celeste. Foto – Divulgação

O formato

A jornada de Celeste é colocada em atos e pela metade do filme, o expectador pode indagar se realmente está assistindo um musical. Porém, quando ele é introduzido pelas musícas vazias, propositalmente escritas pela cantora Sia, que o filme engata, infelizmente, faltando 45 minutos de projeção.

Foto – Divulgação

Mesmo assim, até lá, o expectador consegue trazer inúmeros questionamentos para o íntimo. Como, por exemplo, sobre o mundo do entretenimento: qual é o verdadeiro objetivo da cultura? Unindo alguns temas que Nasce Uma Estrela abordou, mas tratando o mundo da música como algo ainda mais hostil e sombrio, Vox Lux – O Preço da Fama é um retrato que dividirá opiniões e ao longo dos anos ganhará o status “controverso”. Por isso, se o filme Nasce uma Estrela tivesse um irmão gêmeo, Vox Lux – O Preço da Fama seria o irmão maligno e sombrio. Feito às avessas.


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