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Luciana Barbo

Restaurantes se preparam para voltar a receber clientes

Retorno às atividades requer diversos cuidados e alterações na rotina das casas

Luciana Barbo

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A vida que levávamos antes da pandemia da covid-19 não voltará a ser uma realidade. Mesmo que a vacina para este mal chegue logo, o fantasma de um que um novo vírus apareça para promover uma contaminação em massa estará sempre em nossas mentes. Nossa rotina mudou para sempre. As saídas de casa para confraternizar com a família ou amigos em bares e restaurantes também.  

Diante das idas e vindas, autorizações e desautorizações, os empresários do segmento ainda não são unânimes sobre a reabertura das portas, prevista para o próximo dia 15 de julho. Muitos querem esperar para sentir a reação dos clientes e a confirmação de que haverá manutenção do funcionamento. 

Embora as entidades representativas tenham atuado na mediação com as autoridades e na conscientização do segmento sobre as normas de segurança, ainda há bastante medo dos proprietários sobre as consequências de um novo fechamento, especialmente porque seus recursos estão cada vez menores – e investimentos desnecessários podem ser a pá de cal para seus negócios – e por conta dos números de contaminados e mortos que continuam a subir, chegando a mais de 800 óbitos no DF. 

Segurança

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, afirma que um protocolo com as ações de prevenção foi enviado a todos os associados e não-associados. Também fechou uma parceria com o Sesc para isentar os afiliados do pagamento do teste da covid-19. Embora, segundo ele, não seja obrigatório, a testagem é uma precaução que gera segurança para os colaboradores e clientes. 

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Entre as obrigações dos estabelecimentos estão a eliminação de 50% dos lugares com distanciamento de 2 metros entre as mesas, a proibição de música ao vivo, higienização regular do mobiliário, limite de seis clientes por mesa, ventilação preferencialmente natural ou ,quando usado, o ar-condicionado deve ter os filtros limpos diariamente, oferecimento de talheres em embalagens individuais ou preferir os descartáveis, uso de guardanapos de papel, limpeza frequente de banheiros, oferecimento de álcool gel nas mesas e em outros pontos do local, além de uso de EPIs pelos colaboradores e não-presença de pessoas do grupo de risco na equipe. 

 

Medidas adicionais

O empresário Pedro Parreira mal havia inaugurado a nova unidade do Bendito Suco, na 203 Norte, quando a pandemia começou. Foi preciso esquematizar toda uma nova forma de trabalho, focada no delivery que, segundo ele, vem crescendo nos últimos dias. Para a nova fase da casa, que deve começar essa semana, ele já preparou o ambiente de acordo com as novas regras, e ficou com apenas 40% dos colaboradores para evitar aglomeração. Estes terão de cumprir todas as determinações para garantir a própria segurança e a de quem tiver de conviver. Em alguns aspectos, Pedro irá além. “Vamos adotar um distanciamento de quatro metros entre as mesas e pagar pelo transporte dos funcionários para que não tenham de usar ônibus nem metrô. Caso a casa tenha espera, vamos adotar um limite de permanência, para evitar filas e acúmulo de pessoas”, conta ele.

No Cantucci e Grano & Oliva, que também devem reabrir as portas no dia 15, todos os funcionários estão fazendo testes de covid-19 com frequência e foram imunizados contra a H1N1. “Nesse caso, qualquer sintoma mais grave de gripe, será imediatamente apontado como covid e o funcionário será afastado. Vamos colocar equipes trabalhando no esquema 12/36 horas para que as mesmas equipes trabalhem juntas e não haja risco de contaminar todo mundo caso alguém contraia o vírus. As máscaras são obrigatórias em 100% do tempo e as punições são severas aos que descumprirem”, afirma Andrei Prates, um dos sócios das duas casas. Distanciamento das mesas, que já ficam ao ar livre, face shields, totens de álcool em gel, tapetes sanitizantes e medição de temperatura serão outras precauções adotadas.

Nos bares

Para voltar com o atendimento presencial no La Cave Wine Bar, o empresário Marco Tullio Corrêa também preferiu revitalizar o ambiente externo, mais arejado, que contará com apenas 12 mesas, disposta a uma distância maior do que a regulamentada pelo decreto. O cardápio conta com QR Code para evitar o manuseio da versão física. Álcool em gel 70% será disponibilizado nas mesas e também usado para higienizá-las juntamente com outro produto próprio para superfícies em madeira. “Como estamos em um centro comercial, o banheiro de uso coletivo terá uma rotina duplicada de limpeza, seguindo todos os padrões da cartilha enviada pela Vigilância Sanitária”, conta Corrêa, que mandou produzir máscaras de duas cores para controlar melhor a troca do item pelos funcionários. Eles também terá de fazer testes periodicamente. 

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Assim como para muitos empresários, Marta Liuzzi acredita que reabrir as portas do bar Pinella é uma questão de sobrevivência. “Mantivemos a nossa equipe em casa o tanto quanto foi possível, e já não conseguimos mais. Adoraríamos esperar a vacina ou o perigo de sobrecarga dos leitos de hospitais passar, mas precisamos trabalhar ou vamos quebrar”, analisa ela. A empreendedora garante que adotará todas as medidas do decreto 40.939, de 2 de julho. “Também estamos capacitando nossa equipe pelo Instituto Federal de Brasília (IFB), que certifica estabelecimentos no curso de boas práticas com ênfase no controle do novo coronavírus”, informa ela. 

Ela também diz que vai delimitar o espaço na área pública que lhe compete, no sentido de evitar aglomeração em volta dos bar, o que era bem comum antes da pandemia. Embora seja um bar sustentável, a casa deverá voltar a usar descartáveis, enquanto houver pandemia, para evitar contágio. “O lugar das mesas estará marcado no chão, para evitar que os clientes as mudem de posição ou as aproximem indevidamente. Também serão definidos os lugares de espera no caixa e para uso dos banheiros. Vamos voltar com segurança e, claro, uma boa dose de positividade, fé e esperança”, diz Marta. 

Vamos aguardar para ver como o mercado se acomodará a esta nova realidade. E se a população irá se comportar de acordo, respeitando as normas de convivência, higienizando as mãos e usando máscaras em locais públicos quando realmente se sentir segura para sair de casa. 

 


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