
Em 9 de novembro de 2013, um jogador sofre a lesão mais séria da carreira e vê, impotente, o time que defende ser rebaixado para a Série D do Brasileiro. Mas, como diz o ditado, o mundo dá voltas. E assim ocorreu com o zagueiro Luan, que estava no Brasiliense e, mesmo com a queda do clube, destacou-se durante a competição nacional e acertou com a Ponte Preta, onde disputará o Paulista (em vez do Candango) e a Série B (não a última divisão do Brasileiro).
Já em Campinas, o jogador conversou com o Jornal de Brasília sobre o passado, presente e uma ambiciosa pretensão. “O ano de 2013 foi excelente. O Brasiliense foi o time que me mostrou para o cenário nacional e só tenho a agradecer pela oportunidade. Fico muito triste pela queda”, discursou o zagueiro.
Luan nunca jogou fora do cenário local, onde defendeu inúmeros clubes do DF. Uma mudança para São Paulo poderia atrapalhar na adaptação do atleta, porém ele conta com dois ex-companheiros para que sua nova vida seja facilitada. “O Ferrugem e o Adrianinho estão me ajudando demais para que eu me entrose com o elenco e não tenha problemas. Os vejo com uma inspiração.”
Mesmo sendo novo no grande centro, Luan não se contenta em ficar na Ponte Preta. Evidentemente, o zagueiro não desdenha da Macaca, mas quer usá-la como trampolim para algo maior. “Sou flamenguista desde criança e quero jogar lá. Tenho fé. Sei do meu potencial e vou chegar lá. Com calma, mas vou. Um passo de cada vez”.
Talento
Adrianinho, cria da Ponte, que jogou por vários anos no Brasiliense, não vê como um delírio a possibilidade de Luan vestir a camisa do clube carioca, mas alerta: “Ele tem potencial. Nem indiquei, nem nada, como fiz com o Ferrugem. Veio porque, mesmo em Brasília, se destacou. Ele precisa ter calma. Se não ficar ansioso, vai mandar bem na Ponte Preta. Ele tem vigor físico e qualidade para jogar no Flamengo. O Cléber começou aí em Brasília. Fez um bom campeonato e está no Corinthians agora. Por que o Luan não pode ir mais longe? Só depende dele”, frizou o meia, que tem mais um ano de contrato com a Ponte.
Más e boas lembranças
O futebol candango tem sérios problemas com dirigentes “políticos” – prometem mundos e fundos e não cumprem –, desorganização e falta de planejamento. Luan, entretanto, prefere olhar para o lado positivo. “Passei algumas coisas que me desanimaram em alguns clubes, mas persisti. O Brasiliense tem problemas, mas paga em dia. Faltava alguém para ficar de olho. Um gerente, diretor de futebol. Mas o Jairo (Araújo, contratado no fim de 2013) é um cara sério e pode sanar esse problema”, ressalta Luan.