Alvo de duras críticas oriundas de diversos atletas, os dirigentes da Agência Mundial Antidoping (Wada) tiveram, nesta terça-feira, a oportunidade de se defender. Em conversa com jornalistas, o presidente da entidade, John Fahey declarou que as novas regras não são tão opressivas quanto parecem.
“Já estamos há oito semanas sob e ninguém ainda falhou em nos informar seu paradeiro este ano”, comentou o dirigente. O novo sistema obriga que os atletas informem onde estarão durante pelo menos 60 minutos do dia, entre as 6 e as 23 horas – desta forma, os fiscais da Wada podem visita-los a qualquer momento para um teste surpresa.
Atletas do porte de Rafael Nadal, Yelena Isinbayeva, Andy Murray e Serena Williams protestaram contras as regras, sob a alegação de que perderão o direito à privacidade. Por sua vez, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge disse entender as reclamações, mas salientou que este é o preço a pagar pelo bom funcionamento dos esportes.
“Parece que o movimento de oposição tem ganhado força nos últimos dias, mas eles não estão entendendo muito bem. Já tivemos várias formas de exigências de paradeiro nos últimos dez anos e algumas pessoas estão reagindo negativamente simplesmente às mudanças. Mas precisamos dos testes, já que são justamente nessas horas que os atletas costumam se dopar”, comentou David Howman, diretor-geral da Wada.
Isso, o entanto, não significa que a entidade esteja disposta a manter as atuais regras a todo custo. “Vamos acompanhar tudo e, se houver deficiências, certamente podemos arrumá-las no próximo ano. Estamos lendo as reclamações de várias pessoas, apesar de nenhuma ter sido feita diretamente para a gente”, afirmou Fahey.
Howman completou: “As novas regras foram feitas após um longo processo de consulta, mas obviamente continuaremos a conversar com os atletas e, se as críticas foram nem fundamentadas, iremos ouvir”, prometeu. “Mas não faz sentido mudar as coisas baseado em algumas denúncias dos meios de comunicação”.
Turnê – Com o objetivo de minimizar as críticas, o presidente da Wada irá visitar diversos políticos da Europa para defender o novo sistema e conscientizá-los da importância da luta contra o doping.
A partir deste ano, o atleta que não for encontrado pela Wada receberá uma advertência. Caso a ausência se repita três vezes em 18 meses, será feito um flagrante de doping contra a pessoa, que ficará sujeita a todas as punições.