Às 23h40 de segunda-feira, Luiz Gonzaga Belluzzo foi eleito o presidente do Palmeiras sem ter demonstrado apreensão com o pleito. O novo mandatário, vencedor por apenas 22 votos de diferença, se dizia mais ansioso para ver o seu time na chamada “primeira decisão” do ano, às 20h30 (de Brasília) desta quinta-feira, contra o Real Potosí, da Bolívia, no Palestra Itália. É a partida de ida do mata-mata que decide quem completa o grupo 1 da Libertadores.
“Estou mais preocupado com esse jogo do que com a eleição”, exclamava o economista, menos de 20 minutos após assumir o cargo de Affonso Della Monica. “Esse jogo é muito importante para o Palmeiras, que ficou dois anos fora da Libertadores e nas duas últimas participações foi eliminado nas oitavas-de-final pelo São Paulo, o que nunca é bom”, sorriu, lembrando das campanhas de 2005 e 2006.
Pelas palavras de Belluzzo, fica clara a missão dos comandados de Wanderley Luxemburgo. Enquanto os bastidores do clube se movimentavam com as eleições, o técnico arrumava a equipe na pré-temporada com uma programação visando a este primeiro confronto contra os bolivianos. Uma etapa a mais para entrar na Libertadores que é quase uma punição à queda de rendimento do Verdão no fim do Brasileirão.
“É uma pena que o Palmeiras tenha que disputar esta fase. Era melhor entrar direto na fase de grupo, mas tivemos aquela derrota para o Botafogo que foi um acidente do futebol”, ainda lamenta Belluzzo, recordando-se do tropeço para os cariocas em dezembro, no Parque Antártica, pela última rodada do Nacional. O resultado empurrou o time para o quarto lugar e colocou a altitude de Potosí como primeiro obstáculo no sonho do bicampeonato sul-americano.
Para evitar uma eliminação precoce, Luxemburgo atuará com o que tem de melhor. A escalação será basicamente a mesma que bateu o Mogi Mirim por 3 a 0 no sábado, pelo Paulistão. As novidades são Marcos, poupado dos primeiros compromissos exatamente para estar bem contra os bolivianos, Wendel na lateral-direita – o jogador satisfez o técnico na vitória do time misto contra o Marília – e os recém-contratados Edmilson e Armero. Lenny, que encerrou jejum de 699 dias sem gols na terça-feira, disputa vaga no ataque com Willians.
Com sua força máxima, o técnico tem a intenção de abrir boa vantagem para estar mais tranquilo no jogo de volta, na próxima quarta-feira, a 4 mil metros de altitude. O auxiliar-técnico Junior Lopes passou a semana na Bolívia e lembrou que o Potosí goleou o Cruzeiro por 5 a 1 em sua casa na Libertadores do ano passado e ainda trouxe problemas contra o Flamengo, em 2007, ao empatar por 2 a 2 em duelo que os jogadores rubro-negros tiveram de usar balões de oxigênio antes mesmo do apito final.
O retrospecto assusta, mas ninguém quer ver a jovem equipe palmeirense ansiosa dentro de campo. “Temos que ganhar primeiro do Potosi, fazer o primeiro gol. Se sair o segundo gol é bom, o terceiro ótimo. Mas precisamos ganhar, depois transferimos para o jogo de volta”, pregou Luxemburgo, contando com a experiência de Edmilson e Marcos para controlar o time.
“É um time competitivo, motivado, com jovens que querem uma chance na seleção. Eles chegaram com ânimo para fazer um time vencedor. Dá para brigar por títulos”, elogiou o goleiro, último remanescente da conquista da Libertadores em 1999. “Não sei se esse time vai ser campeão porque todos os rivais se reforçaram e não se sabe o que pode acontecer. Mas seremos competitivos”, continuou o camisa 12.
Em meio à confiança, já que o Verdão venceu seus três compromissos até aqui neste ano, o time terá a tarefa de furar a retranca preparada pelo Potosí. O técnico Vladmir Soría escalará apenas o atacante Horacio Chiorazzo e adiantou o meia Peña para ter força no contra-ataque. A estratégia pode dar certo se continuarem as chuvas que tem caído sobre São Paulo, prejudicando o gramado do Palestra Itália.
“O que pode prejudicar muito é essa chuva que tem caído em São Paulo. Mas, se Deus quiser, o tempo vai estar bom. Se não tiver campo seco, precisamos ter a luta demonstrada contra o Marília”, avisou Diego Souza, que deve se juntar a Wanderley Luxemburgo na reza para evitar um temporal.
Enquanto isso, quem continuará suas preces é a figura mais importante do clube no momento, com presença confirmada nas tribunas do Palestra Itália. “Se é obrigação se classificar, eu não sei. Não conheço o Potosí, vou procurar o DVD para saber mais sobre o time. Mas não cai bem para um time como o Palmeiras ser eliminado pelo Potosí”, já avisou o recém-empossado presidente Belluzzo.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS X REAL POTOSÍ
Local: Palestra Itália, em São Paulo (SP)
Data: 29 de janeiro de 2009, quinta-feira
Horário: 20h30 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Silvera (Fifa-Uruguai)
Assistentes: Pablo Fandiño (Fifa-Uruguai) e Wálter Rial (Fifa-Uruguai)
PALMEIRAS: Marcos; Danilo, Edmilson e Maurício Ramos; Wendel, Pierre, Diego Souza, Cleiton Xavier e Armero; Willians (Lenny) e Keirrison
Técnico: Wanderley Luxemburgo
REAL POTOSÍ: Mauro Machado; Luis Ribeiro, Edemir Rodríguez, Juan Paz e Eguino; Ortiz, Nicolás Suárez, Correa e Galindo; Peña e Chiorazzo
Técnico: Vladimir Soría