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Futebol

Vasco lança camisa preta em homenagem a seus primeiros negros

Arquivo Geral

23/03/2011 21h22

Na manhã desta quinta-feira, o Vasco apresentará o seu terceiro uniforme. A camisa será inteiramente preta, sem a tradicional faixa transversal, como uma homenagem ao que ocorreu em 1924, quando o clube desistiu de se filiar à Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (Amea) por se recusar a excluir 12 jogadores negros.

O uniforme é preto em alusão àqueles jogadores, que eram conhecidos como “camisas negras” e vem com a mensagem “Democracia e inclusão”, escolhida pela torcida vascaína em votação pela internet. No evento de lançamento, às 10h (de Brasília), na sede náutica do clube, está previsto até um debate sobre o assunto com artistas e especialistas convidados.

“Graças a esse gesto da diretoria do Vasco, o futebol se transformou em um esporte popular no Brasil, com brancos e negros, pobres e ricos, unidos por uma única paixão nos estádios”, apontou o presidente Roberto Dinamite. “Graças a essa união, Pelé, Didi, Barbosa, Garrincha e tantos e tantos outros negros e mulatos puderam existir para o futebol mundial”, completou Fábio Fernandes, vice-presidente de marketing do Vasco.

O time utilizará o seu novo uniforme pela primeira vez em 3 de abril, quando enfrentará o Bangu pela Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, em São Januario. Nesta quinta, alguns dos jogadores que estão no elenco cruz-maltino desfilarão com as novas peças.

Não será a primeira vez que o clube entrará em campo e abdicará da faixa transversal que o caracteriza e vestirá uma camisa inteiramente preta. Eurico Miranda, como presidente do clube, chegou a utilizar o modelo sem a faixa branca como um protesto à CBF, dizendo-se “de luto pelo futebol brasileiro”.

Agora, no entanto, Dinamite diz que o motivo é mais nobre. “A criação do novo terceiro uniforme é uma homenagem mais do que justa àqueles homens que comandavam o clube naquela época e que nos faz relembrar um belo capítulo da história do nosso Vasco. O que se passou em 1924 é motivo de orgulho para todo vascaíno porque trata do processo de democratização no esporte, que impões o respeito à igualdade e o direito à cidadania”, discursou o presidente.

“O Vasco foi perseguido. Mas, apesar de provocado e ameaçado, não teve dúvidas em ficar ao lado dos discriminados. Essa é uma justa homenagem e uma oportuna lembrança de que não podemos fraquejar nas nossas convicções nem sucumbir a qualquer tipo de preconceito”, comentou Fábio Fernandes, vice-presidente de marketing.

Foto:Divulgação

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