Após um 2008 regular no comando da seleção brasileira, o técnico Dunga anunciou nesta quinta-feira seus ‘pedidos’ para o próximo ano à frente do time verde-amarelo. Além de querer ser mais bem compreendido pela população nacional, o comandante espera algo que todos os treinadores aguardam: mais tempo para preparar sua equipe.
“O que nós queremos na seleção é mais tempo para treinar”, admitiu Dunga, que no último amistoso da seleção brasileira, na goleada por 6 a 2 sobre Portugal na última semana, teve seus jogadores apresentados apenas na segunda-feira: dois dias antes do jogo no Estádio Bezerrão, em Brasília.
O pouco tempo que os técnicos de seleção têm para preparar seus times é algo repetido insistentemente nos últimos anos. Antes da Copa do Mundo de 2002, por exemplo, o técnico Luiz Felipe Scolari tinha apenas dois dias para treinar a seleção brasileira e pedia uma semana, o tempo que seria ideal. Este é justamente o prazo que tem Dunga. “Mas sabemos que esse tempo é algo difícil de ter”, acrescentou.
O atual técnico da seleção brasileira, entretanto, aproveitou para fazer outro pedido: mais empatia do público brasileiro. “Gostaria que as pessoas entendessem que eu tenho esse jeito áspero de falar, e muitas vezes sou mal interpretado por causa disso. Acham que eu estou sempre irritado, o que não é verdade. Falo até tranqüilo”, brincou.
Boa parte desta ‘tranqüilidade’ de Dunga se deve, também, por acusa da vitória sobre Portugal. “Fazia muito tempo que o Brasil não tinha um resultado tão elástico sobre uma seleção tão forte, como foi o que aconteceu. Sabíamos que estávamos devendo em casa e queríamos fazer uma boa apresentação, e com gols”, reconheceu.
Antes de atropelar os lusitanos de Carlos Queiroz em Brasília, a seleção brasileira havia ficado quase um ano sem marcar gols em solo brasileiro: antes do triunfo, em 19 de novembro deste ano, a última vez que a equipe de Dunga balançara as redes no País havia sido em 21 de novembro de 2007, na vitória por 2 a 1 sobre u Uruguai, no Morumbi.
Neste período de 364 dias, foram três empates por 0 a 0, todos pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010: contra a Argentina, em junho no Mineirão, contra a Bolívia, em setembro no Engenhão, e diante da Colômbia, em outubro no Maracanã.