A alegria com que o diretor de futebol Sergio Janikian encarou o confronto com o Guaraní – chegou a agradecer a Deus por enfrentar um time paraguaio, e não um argentino ou brasileiro – contrastou com a tristeza de Tite no final desta quarta-feira. Foi o técnico quem precisou sair em defesa da postura de sua equipe após mais uma derrota para o adversário das oitavas de final da Copa Libertadores da América, desta vez por 1 a 0, em Itaquera.
“Não subestimamos! Pô, as Libertadores e as Sul-americanas que eu disputei, com Grêmio, Internacional, São Caetano e Corinthians, dão experiência para saber que não há jogo fácil. Quem respeita a minha conduta tem certeza de que, quando falo uma coisa, é a verdade. Quero estar com o meu travesseiro leve, sem pré-conceber nada, assumindo os meus erros”, desabafou Tite.
Desde que o Corinthians perdeu por 2 a 0 para o São Paulo, o técnico tem defendido que não sabia nem sequer o rival de sua equipe no mata-mata continental. Ele faz questão de jurar repetidas vezes que imaginava um confronto com o Atlético-MG, eliminado pelo Internacional também neste meio de semana.
Janikian, ao contrário, não se intimidou ao comemorar o duelo com o Guaraní – embora tenha se irritado mais tarde, negando até mesmo a declaração gravada por uma emissora de televisão. Já o meio-campista Elias encarou o chaveamento como uma compensação por ter enfrentado o colombiano Once Caldas na pré-Libertadores e o chamado “grupo da morte”, em que todos já morreram.
“Não vou fazer comentários sobre o que os outros disseram. Seria excessivamente oportuno falar de uma ou duas situações em uma derrota, quando ainda estamos sangrando”, esquivou-se Tite, também questionado sobre o centroavante Vagner Love, que detectou “excesso de confiança” no Corinthians e nem relacionado para esta quarta-feira foi. “Não sei como a pergunta foi colocada para ele. Não vou botar um terceiro no meio.”
Incomodado com o assunto, Tite se alongou no papel de advogado do elenco, aplaudido por parte da torcida após a eliminação e cobrado por outra menor. “Não existe soberba. Também não vejo ostentação nesse grupo. A gente nunca se proclamou o melhor time. Sempre falamos que tínhamos uma equipe em formação. Outros erros, podemos ter”, bradou, enquanto alguns jogadores elogiavam a atuação corintiana na segunda derrota para o Guaraní ao deixar Itaquera.
Para Tite, a explicação para o fracasso de um time badalado há até pouco tempo é simples. “Pegamos um dia errado, em que o adversário fez 2 a 0 em uma competição importante. Com isso, acaba acontecendo o que aconteceu: o time não marca o gol no primeiro tempo e fica pressionado”, lamentou, sob pressão mesmo depois da partida.