O técnico Tite ainda se sente incomodado com uma afirmação que Luiz Felipe Scolari fez antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, na primeira fase do Campeonato Paulista. Na época, Felipão disse que aceitaria perder a partida se assim preservasse o emprego do colega, então ameaçado por causa da derrota para o colombiano Tolima na pré-Libertadores.
“Por favor, não gostaria mais que tocassem nesse assunto”, implorou, sem conseguir evitar novas perguntas sobre Felipão na manhã desta terça-feira. “Estou focado no meu trabalho. Temos grandes responsabilidades, ele no Palmeiras e eu no Corinthians. Cada um quer dar o seu melhor. Já existe a grandeza do jogo. O resto é passado”, desconversou.
Desde que venceu o Palmeiras de Felipão por 1 a 0, em 6 de fevereiro, Tite não explica o seu ressentimento com o treinador adversário. O reencontro entre os dois gaúchos será neste domingo, novamente no Pacaembu, em confronto válido pela semifinal do Paulistão. “Vamos focar nisso”, pediu o corintiano, outra vez.
A mágoa de Tite foi incitada inicialmente pela polêmica derrota do Palmeiras para o Fluminense, por 2 a 1, no Campeonato Brasileiro passado. O Corinthians disputava o título com o clube carioca na ocasião, e a torcida palmeirense (assim como fez a do São Paulo) queria que o seu time facilitasse o jogo válido pela penúltima rodada para prejudicar o maior rival.
“Não quero responder sobre isso. Deixa o meu…”, desconversou Tite, batendo a mão sobre o peito esquerdo. Desconfortável, o treinador corintiano pediu para não abordar também esse tema. “Não quero. Por favor… Obrigado”, concluiu, classificando a perda do título do Brasileirão de 2010 como uma “frustração profissional e pessoal”.
Magoado ou não, Tite costuma ser politicamente correto e avesso a intrigas. Até por isso também elogiou o Palmeiras e seu comandante. “O Felipe tem mais tempo de rodagem do que eu. E é campeão do mundo, né?”, sorriu, sem negar um cumprimento para o colega no final de semana. “É claro que não.”