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Futebol

Sucessor de Felipão veta privilégios e caça a recordes pessoais

Arquivo Geral

23/07/2014 12h39

Logo no primeiro dia de trabalho, em seu retorno à Seleção Brasileira, Dunga evidenciou algumas diferenças entre o modo de trabalho de Luiz Felipe Scolari com o que ele vai adotar a partir de agora. A começar pelo fim dos privilégios a um ou outro jogador e também na imprensa.

“Nossa ideia é voltar algumas coisas que são importantes em uma reformulação”, disse o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, também recentemente contratado para coordenar todas as seleções. “Uma delas é o jogador voltar a sentir o frio na barriga na época da convocação, saber que se for merecedor vai ser convocado. Já fomos jogadores também, e você tem sempre que buscar seu máximo para merecer convocação”.

Em 2014, muitos jogadores souberam bem antes que estariam na Copa do Mundo, independentemente do que acontecesse. Júlio César, jogador da mesma posição em que Rinaldi fez carreira – e chegou à Copa de 1994, na reserva -, ouviu Felipão o garantir publicamente quase um ano antes, mesmo à procura de um clube para jogar. Quase na mesma época, o técnico ainda se reuniu em Londres com cinco atletas (David Luiz, Ramires, Paulinho, Oscar e Willian) para convocá-los de antemão.

Outro ponto a ser modificado por Dunga – ou retomado, a exemplo do que ele fazia na primeira passagem – é não conceder qualquer tipo de vantagem a nenhuma emissora de TV ou órgão de imprensa. Felipão, além de ter dado entrevistas exclusivas a determinados veículos, reuniu-se com seis repórteres durante o Mundial. “Acho que a conversa tem que ser com todo o mundo”, falou Dunga. “Tudo o que for em prol da Seleção, que não forem coisas individuais, vantagens para A, B ou C, vou estar pronto para ouvir”, avisou.

O relacionamento com a imprensa, muito duro em sua primeira passagem, deve ser mais leve desta vez, segundo Dunga. Sua principal preocupação neste momento passa a ser encontrar uma geração equilibrada tecnicamente e capaz de se organizar também no plano tático. Para isso, o primeiro passo é cortar eventuais individualidades – tema que ele abordou citando o atacante alemão Miroslav Klose, que precisava de dois gols na Copa para superar Ronaldo como o maior artilheiro do torneio.

“Imagine estar ganhando de 4 a 0 (de Portugal) e você não coloca ele em campo para bater o recorde! Mas é que ele não podia gastar energia em um jogo já decidido. Era muito melhor ter o Klose inteiro para os próximos jogos. A Alemanha deixou em segundo plano o recorde do Klose. Isso é planejamento, inteligência do jogador e de quem está comandando. Às vezes, as pessoas não conseguem entender muito isso”, discursou.

Mas aí pode entrar uma questão particular. Até 2006, Dunga e Taffarel eram os brasileiros com maior número de jogos pelo Brasil em Copas, com 18 cada. Naquela edição, porém, Ronaldo – que hoje cuida da imagem de jogadores como Neymar – o ultrapassou, contando a partida contra o Japão, a última da fase de grupos, da qual alguns foram poupados, incluindo o recordista Cafu, lateral direito titular da equipe por uma década.

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