Carlos Eugênio Simon teve uma semana turbulenta. Por causa do pênalti que não teria dado em Diego Tardelli na derrota por 3 a 2 do Flamengo para o Cruzeiro, o árbitro viu os cariocas reclamarem a ponto de enviar um vídeo com o lance à Fifa “alertando sobre a qualidade do representante brasileiro na Copa do Mundo de 2010”. A pressão, porém, é minimizada até mesmo por quem decidiu afastar o apitador.
Tranqüilo quanto à reação rubro-negra, Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem, até concorda que Simon equivocou-se ao não assinalar penal na jogada ocorrida no fim da partida de domingo – tanto que tirou o árbitro do sorteio para a penúltima rodada da Série A –, mas discorda de quem aponta o gaúcho como culpado pelo resultado.
“Mesmo com todo o investimento de mais de R$ 2 milhões feito pela CBF na arbitragem, acabam acontecendo equívocos como este, que é questionável. Tanto que o jogo foi domingo e o assunto ainda é debatido. É um lance que gera opiniões divergentes, mas não há dolo”, disse Sérgio à GE.Net, sem se incomodar com os protestos flamenguistas.
“É uma polêmica que faz parte do contexto do futebol. Todos cometem equívocos, incluindo a Comissão de Árbitros, os próprios árbitros, os clubes, os jogadores… E o Simon não foi preponderante para a vitória do Cruzeiro”, completou, lembrando uma falha específica de um dos destaques rubro-negros para defender o árbitro.
“Não podemos, ao grito de uma direção de qualquer clube, sair cortando cabeça de árbitro. A não ser que eles cortassem cabeça de jogador. O Juan, por exemplo, é um craque e perdeu um gol que poucos perdem”, apontou, recordando de um chute para fora do lateral, que estava com o gol vazio à sua frente. “Se ele tivesse feito, estaria 3 a 2 para o Flamengo naquela hora. Quem sabe eles não venceriam?”.
Com este pensamento, o dirigente se diz acostumado aos protestos e repete o que garante falar a todos que o procuram indignados com alguma falha de arbitragem: não é justo explicar o fracasso em um campeonato culpando um equívoco de um ser humano com poucos segundos de raciocínio dentro de campo – o Flamengo, no caso, se viu prejudicado em seu objetivo de ir à Libertadores.
“Em 2008, tivemos 33 reclamações formais em todas as partidas válidas por Série A, Série B, Série C e Copa do Brasil. Muitas delas não tinham razão de ser. E para cada clube que reclama, colocamos que o campeonato tem 38 rodadas, não uma. Uma soma de equívocos dos jogadores pode ter contribuído e muito para a situação dos clubes no campeonato”, afirmou.