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Futebol

Receita de Romário não cola no DF e esportistas são preteridos

Arquivo Geral

07/10/2014 7h51

Intermináveis anos dedicados ao esporte fizeram dos ex-atletas e personalidades da área candidatos a cargos políticos no Distrito Federal. Leila Barros, do vôlei; Iranildo Chuchu, do futebol; Julio Cesar Ribeiro e Ricardo Vale, ex-secretário de esportes e presidente do Sobradinho, respectivamente, foram exemplos nas urnas de 2014.

Recordista de jogos pelo Brasiliense – foram 297 partidas oficiais –, o ex-meia apostou na relação íntima com o clube de Taguatinga para tentar a sorte na política. Os minguados 478 votos conquistados, porém, o provaram o contrário. 

O ex-jogador garante que a 418º posição entre os distritais não o abalaram. Ele estuda voltar em 2018. “Acho que ainda consigo jogar por um tempo, mas, se não der, a vaga de dirigente seria uma boa opção. Por enquanto, penso em descansar um pouco”, comenta.

Iranildo conta ainda que a maior dificuldade na campanha foi a falta de tempo para divulgar as ideias. De acordo com ele foram 40 dias desde que aceitou ser candidato.

Quase

 Leila tentou. Adquiriu admiradores e com um custo baixo na campanha conseguiu 11.125 votos e o 31º lugar entre os candidatos a deputado distrital. Como apenas 24 são eleitos, ela ficou com a primeira suplência e a vontade de tentar de novo daqui a quatro anos.

“Foi a maior aventura da minha vida. O esporte tem uma imagem muito positiva. A gente é muito disciplinado e determinado. Ninguém se torna atleta dando jeitinho e não há atalhos para o sucesso a não ser o trabalho duro”, vibra.

Atual dirigente do Brasília/Vôlei e ex-jogadora, Leila fez um mutirão com amigos e familiares. O custo da campanha, de acordo com ela, ficou  abaixo dos R$ 50 mil. “O meu recurso foi quase zero perto dos milionários. Estou muito feliz com o resultado e quero trabalhar muito pela minha cidade”, afirma.

Eles convenceram os eleitores

Nem só de insucessos viveu a bancada do esporte nas urnas deste ano. No lado dos vencedores, Julio Cesar Ribeiro, ex-secretário de esportes, e Ricardo Vale, presidente do Sobradinho Esporte Clube, tiveram motivos para comemorar. 

Literalmente na ponta, Julio Ribeiro, que preferiu “mudar” o nome de guerra para Julio César, contou com a força da igreja evangélica para ocupar o primeiro lugar. Ele recebeu 29.384 votos. 

“Quero, primeiramente, agradecer a Deus por esta vitória e a todos os 29.384 eleitores do Distrito Federal que, neste domingo, votaram e confiaram em mim”, agradeceu Julio, em sua página na rede social.

Ricardo Vale foi o 16º mais bem votado com 14.223. Presidente do clube de futebol do Sobradinho, ele levanta a bandeira do apoio ao esporte como um dos estandartes do seu governo.

Planos definidos

Ricardo pretende dar um foco maior à cidade de Sobradinho, local onde nasceu e obteve seu maior número de votos. Um dos objetivos dele é melhorar a qualidade esportiva do município ao lado do irmão Paulo Tadeu.

Popular só dentro das quatro linhas

Não foram poucos os candidatos eleitos que em algum momento tiveram ligação com esporte em suas carreiras profissionais que tentaram as eleições. O futebol, contudo, mostrou ainda ser de longe a modalidade mais popular do Brasil e teve grande contribuição para eleger a maior parte dos políticos “esportivos” que exercerão cargos eletivos a partir de 2015.

De cartolas a árbitros, a lista é encabeçada pelo tetracampeão mundial Romário, que, com 63% dos votos, se tornou o único ex-jogador a figurar no senado a partir dos próximos quatro anos. Além dele, Fernando Bezerra Coelho, ex-presidente do Santa Cruz, é outro “esportivo” eleito para a casa mais alta do Congresso Nacional.

Entre os deputados, três presidentes em exercício de clubes foram eleitos: Gustavo Carvalho, do América de Natal, Sergio Frota, do Sampaio Correa e Marcos Barbosa, do ABC, além do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, amigo pessoal de Lula. 

Na lista dos ex-jogadores estão Bebeto, tetracampeão mundial ao lado de Romário em 1994; Danrlei e Jardel, ídolos gremistas da década de 1990; Deley, ex-meia do Fluminense; João Leite, ex-goleiro do Galo e Bobô, ídolo do Bahia. Ainda tiveram êxito em suas candidaturas o ex-árbitro Evandro R. Roman e Sergio Zveiter, ex-presidente do STJD.

Já entre os que tiveram sucesso sem ligação direta com o futebol, está Orlando Silva, ex-Ministro do Esporte, que foi eleito deputado federal em São Paulo. O único ex-atleta olímpico que teve êxito em sua candidatura foi o ex-judoca João Derly, bicampeão mundial da categoria.

Reprovados

A lista dos que se candidataram, mas não venceram é extensa. Em São Paulo, os ídolos corintianos Marcelinho Carioca e Dinei não conseguiram votos suficientes para chegar ao congresso, assim como a lenda palmeirense Ademir da Guia. Marco Aurélio Cunha, ex-diretor do São Paulo e que já foi vereador pelo estado, também fracassou.

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite,  tentava o cargo de deputado estadual  do Rio de Janeiro pela sexta vez consecutiva. A má fase do time, porém, refletiu e ele foi reprovado pelos eleitores  . Já Gilvan Pinho Tavares, presidente do Cruzeiro, não conseguiram se eleger como   em Minas,  mesmo com a Raposa liderando o Campeonato Brasileiro com folga. 

 A lista dos ex-jogadores ainda conta com Reinaldo, Washington, Dinho, Paulo Rink e Marques, entre outros.

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