De um lado o líder da competição, ainda invicto e com sete pontos. Do outro o lanterna, que passa por crise interna e tem apenas um empate em 0 x 0, em casa, nos três jogos feitos até aqui. Situação impensável antes do início do Campeonato Mineiro, Cruzeiro e Atlético-MG se enfrentam neste sábado, às 16 horas (de Brasília), pela quarta rodada do estadual, em situações extremamente opostas na tabela.
A Raposa, que aparece como grande favorita para conquistar o título, vem de duas vitórias e um empate heróico em Nova Lima, não tem desfalques e ainda tem seu técnico, Paulo Autuori, vivendo grande expectativa de manter o jejum de dois anos sobre o rival alvinegro. Desde fevereiro de 2005, o Atlético não vence o clássico, com quatro derrotas e dois empates.
O único problema da equipe celeste está na zaga. André Luiz, titular do setor, acabou castigado por um torcicolo e fica como dúvida. Caso seja vetado, o jovem Luizão entra em seu lugar. Nada que preocupe Gladstone, confirmado na defesa. “Se não der para o André Luis não tem problema nenhum, o Luizão entra no lugar dele. Já treinamos e jogamos várias vezes juntos. Com bastante conversa a gente se entende”, alegou.
A desconcentração cruzeirense dentro de campo é visível e a boa fase reflete até nas arquibancadas. A procura por bilhetes para o setor celeste era quase três vezes maior que nos setores atleticanos. “A gente sempre quer ter a torcida do Cruzeiro em peso em todos os jogos. A gente sabe que é um clássico e essa rivalidade faz com que isso seja mais evidente. Toda vez que a torcida estiver presente, temos que puxar por ela jogando bem. Assim acontece essa interação entre torcida e equipe que a gente quer”, reforçou Autuori.
A oportunidade de deixar o rival atolado na última colocação também pesou para a diretoria da Raposa, que promete até prêmio extra para empurrar seus jogadores para cima don combalido Galo. O técnico Levir Culpi arruma seu time como pode e a maior aposta é no retorno do xodó Danilinho, campeão do Sul-americano sub-20 com a seleção brasileira da categoria.
Além do apoiador, quem também retorna aos 11 iniciais são os laterais Coelho e Thiago Feltri. O pensamento não é outro a não ser vencer e buscar a reabilitação dentro do Mineiro justamente contra o maior adversário. “É só o que nos interessa. Espero ajudar me movimentando bastante para buscar esses três pontos e subir na tabela. Clássico não tem favorito e estamos bastante determinados para buscar a vitória”, justificou Danilinho.
O Atlético está concentrado desde quinta-feira para o clássico, prática pouco usual no futebol. Levir quer minimizar os efeitos de encarar o jogo mais importante do futebol local pela primeira vez, pois da formação testada no coletivo, quatro jogadores jamais participaram do confronto mais tradicional do futebol mineiro: Coelho, Bilu, Danilo e Galvão. Thiago Feltri, revelado pelo Alvinegro, nunca enfrentou o rival celeste pela equipe profissional, mesma situação de Tchô.
“Estou ansioso para que esse jogo chegue logo e eu possa ajudar o Atlético a sair com a vitória. Já vi muito jogador se consagrar em clássico e muito time embalar depois de uma vitória em uma partida dessas. É a chance que temos para pegar embalo no Campeonato Mineiro”, prometeu Coelho.
A grande rivalidade dentro de campo acabou influenciando as coisas fora. No segundo dia de venda de ingressos, cruzeirenses e atleticanos se enfrentaram e transformaram alguns pontos de Belo Horizonte em verdadeiras praças de guerra. Como represália – e até certo ponto uma resposta à prisão de sete torcedores – a Federação Mineira de Futebol (FMF) e os clubes se uniram para dar um clima mais ameno ao jogo. Declarações provocantes estão sendo evitadas e diversas atitudes para pregar a união deverão ser realizadas no Mineirão instantes antes do apito inicial.