As dívidas acumuladas do Atlético-MG nas últimas administrações chegam a R$ 200 milhões, mas no que depender do atual presidente do Conselho Deliberativo do Galo, Manoel Bravo Saramago, a causa do arrombo ficará escondida. O dirigente proibiu a abertura de uma auditoria interna, sob a alegação de que o Alvinegro precisa olhar para o futuro e esquecer o passado.
“O Atlético tem de ver para frente. Chega de pensar no passado. Vamos pensar no Atlético grande daqui para frente, ganhando campeonato, Taça Brasil, Nacional. O que passou, passou. Está prescrito. Discutir assunto Paulo Cury, Afonso Paulino. Isso já era”, afirmou Saramago.
O Conselho atleticano se reuniu na última segunda para discutir um acordo do ex-presidente Ricardo Guimarães com a empresa WRV, responsável direta por uma dívida de R$ 17 milhões. Uma comissão, que conta com o atual mandatário, Ziza Valadares, foi criada para renegociar o valor.
“O Conselho entendeu que deveria ser ouvido para que fosse aprovado. É normal. Quero reiterar uma coisa. O Atlético tem procurado pagar sua dívidas, tem de honrar seus compromissos. Vamos chamar o pessoal da WRV para conversar. O Atlético vai pagar, quando puder”, avaliou Ziza, que desde que assumiu a presidência vem conseguindo reduzir o número de débitos envolvendo o nome do Atlético, incluindo dívidas trabalhistas e até penhora de algumas sedes.
Logo no início de sua gestão, Ziza teve de ir ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) para obter a delimitação de apenas 15% das receitas do Galo para pagamento de dívidas. Segundo palavras do próprio cartola, ‘é um respiro’. “Não é o melhor dos mundos, mas é uma coisa que nos tranqüiliza. Vamos cumprir nossa obrigação e depositar trezentos e setenta e cinco mil todo mês. Vamos, para facilitar, encaminhar um ofício às nossas principais fontes pagadoras para que o recurso seja passado diretamente para a Justiça”, disse.
Apesar de não ser conselheiro, mas estar liberado para participar do encontro, Guimarães não esteve presente na reunião. Do lado de fora, cerca de 20 torcedores – alguns ligados a facções organizadas – cobravam transparência da diretoria e exigiam a implantação de auditoria e até direito de voto aos sócios-torcedores.