Menu
Futebol

Presidente da CBF fala em vexame superado e "esquece" barbárie de domingo

Arquivo Geral

21/10/2014 8h15

Aos 82 anos, o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, aparece muito mais no noticiário pelas lambanças do que pelas qualidades. Há dois à frente da entidade máxima do futebol nacional, o sucessor de Ricardo Teixeira costuma se esquivar de polêmicas.

Racismo, violência nos estádios, clubes mergulhados em dívidas, entre outros carmas do esporte bretão, são tópicos corriqueiros, mas quase tabus para a autoridade.

Ontem, um dia após o País ser apresentado a mais uma tragédia envolvendo torcidas organizadas – palmeirenses armaram emboscada para santistas –, Marin preferiu falar sobre o fatídico 7 x 1 da Copa do Mundo. Em um evento organizado pelo conselheiro palmeirense Mustafá Contursi, em São Paulo, ele declarou que a derrota para a Alemanha já é passado e que o país do futebol voltou a ocupar o posto de reverência depois de vencer os quatro amistosos pós-Copa – com a Colômbia, Equador, Argentina e Japão. 

“Apagar os 7 x 1 com quatro amistosos é difícil. Marin se precipitou”, discorda o torcedor Thiago Dutra, de 26 anos.

Não bastasse o equívoco de achar que o episódio está superado, Marin mais uma vez prova viver um mundo paralelo do futebol. A seguir, o JBr. lista sete tópicos bem mais importantes com os quais o mandatário da CBF deveria se preocupar.

RACISMO

Após o episódio com o volante Tinga, do Cruzeiro, em fevereiro de 2013, quando o atleta foi chamado de macaco, no Peru, Marin se pronunciou. “Repudio essa prática absurda de racismo que está acontecendo nos estádios”, disse ao Estadão. Depois disto, quase não tocou no assunto, mesmo diante de situações parecidas no Brasil – o caso da torcedora do Grêmio, em agosto.

A ARBITRAGEM BRASILEIRA

A arbitragem dos campeonatos não têm dado motivos de orgulho. Lances mal marcados e pênaltis mal observados são as principais reclamações dos jogadores, clubes e torcida. Diante disto, Marin também diz não estar satisfeito, mas elogia a comissão. “Árbitros brasileiros já apitaram finais de Copa do Mundo. Nossa arbitragem é da melhor qualidade”, disse, no início do mês. 

BOM SENSO FC

No ano passado o movimento encabeçado por jogadores brasileiros tomou conta da mídia. O objetivo deles é cobrar melhores condições no futebol e deixar que os campeonatos adultos fossem geridos pelos próprios clubes. Marin limitou-se a palavras. “Quem tiver competência e liderança, funda a liga. Nós respeitamos”, disse, no fim de 2013.

Os 7 x 1 

Desde o vexame na Copa, Marin prometeu renovação, mas substituiu Felipão por outro nome batido na seleção brasileira, o ex-jogador Dunga. Passado o Mundial e as vitórias do Brasil em quatro amistosos, o presidente já acredita que o time canarinho esteja renovado e sonha com uma possível revanche contra a seleção da Alemanha.

TIMES EM SITUAÇÂO PRECÁRIA

O Botafogo é o centro das atenções no momento sobre o assunto. Com salários atrasados, o clube carioca vive situação crítica. “Não há previsão para melhoras”, disse o goleiro ao SporTV. A CBF, no entanto, pouco se aprofunda no assunto e nem sequer dá abertura aos clubes para tentar organizar uma solução.

VIOLÊNCIA NOS ESTÁDIOS

O ano passado ficou marcado na vida do torcedor, principalmente pelas constantes brigas nos estádios do Brasil. Na época, Marin disse: “A CBF está indignada. Vamos acompanhar de perto e temos certeza de que a lei será aplicada”. Algumas torcidas organizadas foram punidas e até proibidas de entrar nas arenas, por decisão judicial, mas por falta de empenho ainda é comum ver barbáries como as de domingo, entre Palmeiras x Santos.

MORTE NA COPA

Durante a construção das 12 arenas que receberiam os jogos da Copa do Mundo, 10 trabalhadores morreram fruto dos acidentes provenientes das construções. Em 6 de setembro, o Comitê Popular da Copa de SP realizou um esculacho em frente a residência de Marin com um enterro simbólico dos trabalhadores pela “Copa das Mortes”. Marin praticamente ignorou o fato.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado