O Santos ainda não aceitou a possibilidade de não poder utilizar a Vila Belmiro nas finais do Campeonato Paulista. Para o goleiro Fábio Costa, o argumento de que o Morumbi é mais seguro que o estádio do Peixe não se sustenta. “O Morumbi não é mais seguro que a Vila. Isso ficou provado pelas brigas que ocorreram no clássico (entre São Paulo e Palmeiras)”, lembrou o jogador, que nem por isso condenou a casa do Tricolor.
Fábio Costa entende que não se deve apenas corrigir a estrutura dos estádios brasileiros, mas principalmente a mentalidade de seus freqüentadores. “Não existe estádio seguro. É uma questão cultural. A violência depende dos torcedores que vão ao estádio. Contra o Corinthians, por exemplo, eu elogiei os torcedores deles, que não provocaram nenhum tumulto na Vila. Fala-se tanto da Europa, mas o jogo do Brasil (na Suécia) também não terminou por causa de invasões de campo”, criticou.
No último clássico entre Santos e São Paulo, torcedores das duas equipes entraram em conflito na Vila Belmiro. O incidente gerou uma representação da diretoria do Tricolor para vetar o estádio do Santos na fase final do Campeonato Paulista. Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), já declarou que vê Morumbi e Pacaembu como palcos ideais para a decisão, enquanto o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) puniu os clubes rivais com a perda de um mando de campo. O Peixe ainda recorre de uma multa de R$ 200 mil que também recebeu como sanção.
Apesar de comparar as seguranças dos estádios de Santos e São Paulo, Fábio Costa não contesta as decisões da FPF, que possui os mandos de jogo da próxima fase do Estadual. “Não sou contra jogarmos no Morumbi, mas também não sou a favor. Sou neutro. Não dá para aceitar o regulamento, jogar o campeonato todo e querer reclamar agora. Só espero que não haja uma discriminação nessa escolha”, declarou o goleiro.
O fato é que, no Santos, os jogadores ainda lamentam bastante a possibilidade de perder o privilégio de enfrentar seus rivais na Vila Belmiro. O meia Zé Roberto é um dos que consideram a casa do Peixe diferenciada. “Existem estádios que, quando estão cheios, são como uma arena. Quando eu jogava na Portuguesa, sempre nos preocupávamos com a Vila, porque sabíamos que o torcedor é chato, fica em cima, xinga e apóia bastante. Hoje, é emocionante, para mim, jogar na Vila. Espero que, se formos mesmo para outro lugar nas finais, a nossa torcida também compareça”, comentou o veterano.
Enquanto alguns já dão como certo o veto à Vila Belmiro, a diretoria do Santos trabalha nos bastidores para, pelo menos, não enfrentar o São Paulo no Morumbi. Na semana passada, o presidente Marcelo Teixeira garantiu que o Peixe só jogará na casa do rival se também puder utilizar o seu estádio, em um hipotético mata-mata. Como lembrou Fábio Costa, os incidentes registrados no último clássico que o Tricolor recebeu viraram trunfos importantes para o Alvinegro.