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Futebol

O Centro-Oeste e a Copa de 2014

Arquivo Geral

28/11/2008 0h00

Na história das Copas do Mundo, apenas uma vez o país-sede deixou de mandar jogos para sua capital. Foi em 1958, quando a Suécia colocou Estocolmo de lado para hospedar suas partidas em outras 12 cidades: Boraas, Eskilstuna, Gotemburgo, Halmstad, Helsingborg, Malmo, Norrkoping, Orebro, Sandviken, Solna, Uddevalla e Västeräs.


O precedente é inimaginável hoje, e não deve se repetir em 2014, quando o Brasil for o anfitrião do Mundial. Brasília, que sequer havia sido construída na Copa de 1950, é a favorita a uma das vagas do Centro-oeste a palco da competição. O que ainda não garante, porém, que os brasilienses terão sorte diferente da que teve Estocolmo em 1958. “Não há nada no caderno de encargos que obrigue a capital federal a sediar jogos”, explicou Ricardo Teixeira, durante evento em São Paulo. “Brasília precisará cumprir com os encargos, como qualquer outra cidade”, completou o presidente da CBF.


O principal cartão de visitas da capital federal para demonstrar tal favoritismo foi o amistoso de 19 de novembro entre Brasil e Portugal. A cidade apresentou a nova Arena do Gama, já que, segundo o site da CBF, o antigo Bezerrão foi demolido para dar lugar ao novo estádio, com uma nova estrutura. “O estádio, completamente adequado às exigências da CBF e da Fifa, tem capacidade para 20 mil torcedores, todos confortavelmente acomodados em cadeiras numeradas, e o gramado tem 105m x 68m, em uma área interna de 128m x 81m”, diz a Confederação.


Dois ‘pequenos inconvenientes’, porém, tiram as chances da Arena do Gama – que é apenas o novo nome do Bezerrão – de ir à Copa do Mundo de 2014: o estádio, que sequer tem os 40 mil lugares exigidos pela Fifa para a Copa, fica na cidade-satélite do Gama, e não em Brasília, que deve mandar seus jogos, de fato, no Estádio Mané Garrincha, que ainda será reformado para o evento.


Enquanto Brasília apresenta sua arquitetura moderna ao mundo do futebol, Goiânia se prepara para uma série de reformas, de forma a tentar brigar por uma das dez vagas oferecidas pela Fifa às cidades brasileiras. Para tal, além da repaginada prevista para o estádio Serra Dourada, os goianienses ainda correm para colocar a cidade em ordem para hospedar algumas das principais seleções do mundo.


A principal arena esportiva de Goiás ainda não está pronta para 2014, mas não está tão aquém quanto os mais pessimistas possam esperar. Com um gramado elogiado e contando com uma das melhores iluminações do Brasil, o local precisa ‘apenas’ de algumas reformas estruturais, como o rebaixamento do campo, o fim da geral (de 8 mil lugares), a substituição das cadeiras, a reforma do setor de imprensa, a troca das câmeras de monitoramento e a construção de camarotes. Entre outras.


“O nosso projeto já está em andamento, com todas as exigências da Fifa. Ela quer, por exemplo, uma série de coisas no caderno de encargos, como a construção de camarotes corporativos para os dirigentes”, explica Geórgia Valadares, responsável pelo setor de comunicação da secretaria municipal de turismo (responsável pela coordenação da candidatura), que faz questão de tranqüilizar. “A Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de base) mandou alguns consultores para olhar o projeto de Goiânia. Preenchemos uma série de formulários a respeito das obras. Estamos bem encaminhados.”


A iniciativa privada, que seria a principal financiadora da Copa, já está de olho nas obras do Serra Dourada, uma vez que o Jardim Goiás – o bairro no qual se localiza o estádio – deve sofrer uma importante valorização de seu metro quadrado nos próximos anos, o que incentivaria o investimento na região. O Serra, por sua vez, é administrado por um fundo independente de investimentos, já que foi desvinculado do Governo do estado em 2006.


Apesar dos investimentos no estádio, o projeto de Goiânia ainda prevê alterações importantes em um dos setores mais visados: os transportes. Em dias comuns, apenas linhas de ônibus fazem o trajeto até o estádio – que, em dias de jogos, ganham o reforço de linhas de toda a cidade. No entanto, a cidade ainda tem um orçamento previsto de R$ 800 milhões para investir em transportes apenas entre 2008 e 2009.


Na área dos transportes, a mudança mais importante é a do Aeroporto Internacional Santa Genoveva – que, apesar do novo, ainda não está totalmente internacionalizado. “É a primeira exigência da Fifa: internacionalizar os aeroportos. Mas a obra já foi licitada e iniciada”, explicou Geórgia. A reforma deve ser concluída em 2009.


No Centro-oeste, Cuiabá e Campo Grande correm por fora na concorrência pela Copa. A capital mato-grossense quer reformar o estádio José Fragelli, o Verdão, oferecendo 40 mil lugares e uma arrojada cobertura. No entanto, o Mato Grosso começa alguns passos atrás com seu estádio, que sofreu uma queda de energia no amistoso entre Mixto e Corinthians no final de outubro. Já o Mato Grosso do Sul quer modernizar o estádio Pedro Pedrossian, ampliando a capacidade do Morenão – de 45 mil para 77 mil lugares.


 

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