O Santos precisará provar que é o time da virada para chegar à final da Taça Libertadores da América, contra Cúcuta ou Boca Juniors. Após vencer por 2 x 0 no estádio Olímpico, o Grêmio promete ser o adversário mais difícil que o Peixe enfrentou em um mata-mata neste ano. O reencontro decisivo acontece às 21h45 desta quarta-feira, na Vila Belmiro.
Em 2007, o histórico do Santos de conseguir reverter placares desfavoráveis começou na final do Campeonato Paulista. Contra o São Caetano, os comandados de Wanderley Luxemburgo perderam o primeiro jogo também por 2 x 0, mas devolveram o placar no segundo e ficaram com o título. “Agora, dois gols não bastam. Precisamos fazer três”, lembrou o volante Rodrigo Souto. Uma vitória por 2 x 0 em cima do Grêmio levará a decisão para os pênaltis. Qualquer outra vantagem de dois gols do Peixe classifica o Tricolor gaúcho, que se beneficiaria por balançar as redes fora de casa.
Na Libertadores, o Santos também virou contra Caracas e América. Precisando de um empate simples para eliminar o time venezuelano, o Alvinegro sofreu dois gols na Vila Belmiro, mas teve forças para marcar três. Já os mexicanos conseguiram vazar uma vez o goleiro Fábio Costa como visitantes, e novamente o Peixe reverteu o placar e avançou. “Não será tarefa fácil desta vez, pois o Grêmio é uma grande equipe. Mas já viramos situações complicadas, o que nos dá esperança para uma nova virada”, comentou Fábio Costa.
Mas não é somente o Santos que conseguiu grandes viradas neste ano. A lenda da imortalidade do Grêmio voltou à tona na semifinal do Campeonato Gaúcho. Quando o time de Porto Alegre perdeu o primeiro jogo para o Caxias por 3 x 0, muitos já davam a fatura como liquidada. No confronto de volta, o Tricolor se superou e venceu por 4 x 0.
Na Libertadores, não foi diferente. Para chega à semifinal contra o Santos, teve de reverter dois placar adversos dos jogos de ida. Nas oitavas-de-final, perdeu por 1 x 0 para o São Paulo no Morumbi, contudo, na volta, com o apoio de sua torcida, venceu por 2 x 0. Já nas quartas-de-final, outro revés na primeira partida. Em Montevidéu, 2 x 0 para o Defensor Sporting. No Olímpico, novo 2 x 0, agora para o Grêmio, e a classificação veio nos pênaltis.
O time gaúcho está consciente de que o Peixe também está transformando derrotas em vitórias em seu campo. “O Grêmio tem que ser o Grêmio e honrar sua torcida. Assim como nós, o Santos também conseguiu suas viradas. Temos que fazer um gol no começo, para facilitar as coisas. Precisamos ter consciência de que grandes times, como o Santos e o Grêmio, dentro de casa, adotam uma postura mais ofensiva”, alertou o meio-campista Lucas.
O gol no início do jogo, por sinal, também é preocupação da equipe paulista. “Quando está 2 x 0, todo treinador fala que é um resultado perigoso. Você precisa ter muita paciência porque um gol, tanto para lá como para cá, muda completamente o emocional do jogo”, declarou Luxemburgo, que já instruiu seus comandados nesse sentido. “Temos que ir por etapas. Vamos pensar antes no primeiro gol e assim por diante”, ordenou Rodrigo Souto.
Para o volante Sandro Goiano, muito criticado por Luxemburgo pelo excesso de faltas, o Grêmio não pode mudar seu estilo para conseguir a vaga na final. “O futebol gaúcho tem como característica a força, e foi assim que nós chegamos à semifinal. Assistimos aos jogos de todos os grandes times, inclusive do Santos. Sabemos que a força deles dobra jogando na Vila. Mas crescemos nessa reta final e estamos com o espírito dessa competição.”
Lucas é outro que não se importa se o Grêmio cometeu 21 faltas no Olímpico contra somente três do Santos. “Não acho 21 um número grande de faltas. Tenho certeza que a média no Brasileirão é maior. Três é que é muito pouco. Tenho certeza que eles vão fazer mais faltas nessa partida”, afirmou o meio-campista, que pretende avançar mesmo com uma derrota na Vila Belmiro. “Fazemos questão de nos classificar. Não podemos nos preocupar com o resultado. Lógico que sempre gostamos de vencer, mas também não podemos descartar a possibilidade de nos classificarmos com derrota.”
Dentro de campo, a única incerteza no time do Santos é o chileno Maldonado, um dos jogadores que não foram preservados no empate por 1 x 1 com o Corinthians. Ele deixou o clássico com uma leve contratura na coxa esquerda e ficará de molho até o momento do jogo com o Grêmio. “A presença dele é praticamente garantida”, apostou o médico Joaquim Grava. Caso a previsão não se confirme, Luxemburgo poderá escalar o jovem Adriano na posição ou, o que é mais provável, recuar Cléber Santana, promovendo a entrada de Pedrinho ou Rodrigo Tabata na armação.
O técnico Mano Menezes, por sua vez, tem duas dúvidas. A primeira é no meio campo. O capitão do time, Tcheco, sentiu novamente uma contusão muscular no jogo de ida contra o Santos. Se ele não tiver condições, Lucas entra em seu lugar, dando características mais defensivas ao time. O outro problema é no ataque. Tuta se lesionou ainda no primeiro tempo da partida contra o Botafogo, no último sábado. Caso Mano queira um jogador com as mesmas características, escalará Douglas. Mas Amoroso, mesmo tendo outro estilo, tem grandes chances.