Em julho do ano passado, o técnico Muricy Ramalho rejeitou a proposta recebida da CBF para treinar a seleção brasileira. Na época, o treinador dirigia o Fluminense e, como os cariocas não o liberaram de seu compromisso com o clube, Muricy decidiu continuar nas Laranjeiras. Uma atitude pouco comum e que sempre suscita curiosidades sobre o episódio. Por isso, o atual comandante do Santos é sempre enfático ao dizer que não se arrepende de ter dito “não” para a seleção.
Firme, Muricy Ramalho acredita ter tomado a atitude certa no momento. “As pessoas me perguntam se eu não me arrependo e entendo essa curiosidade. Talvez a maioria tivesse aceitado a seleção. Mas eu não me arrependo do que fiz. Fiz o correto. Tomei a atitude que a minha consciência mandou”, disse.
Segundo o técnico, o seu bom relacionamento e a confiança nos dirigentes do Flu o levaram a permanecer nas Laranjeiras na ocasião. “Eu tinha pessoas muito bacanas do meu lado, que eram o Celso Barros (presidente da Unimed, patrocinadora do clube), o Alcides Antunes (diretor de futebol) e o Roberto Horcades (ex-presidente do Fluminense). Tomei essa atitude por eles. Eles sempre foram muito corretos comigo. Eu tinha que dar o exemplo. Não podia largar o Fluminense, que há três anos estava brigando para não cair”, comentou.
Apesar disso, Muricy foi direto ao declarar que, se a situação tivesse acontecido com a atual direção do Tricolor Carioca, a história poderia ter sido diferente. “Fiquei na época porque tinham essas pessoas de confiança. Hoje não sei se eu faria isso. Porém, seja como for, acredito na coisa correta. No fim do ano passado fui campeão brasileiro pelo Fluminense e agora conquistei o Paulistão e a Libertadores pelo Santos. Fui recompensado”, apontou.
Com o seu estilo único, o treinador santista ainda rebateu os críticos que disseram que ele deixou o Fluminense por não ter mais condições de ganhar a Libertadores pela equipe carioca, que vinha acumulando tropeços na fase de grupos da competição.
Muricy Ramalho deixou as Laranjeiras em meados de março, alegando problemas na estrutura do clube. Internamente, os comentários eram de que o comandante também já não tinha mais um relacionamento tão próximo com os jogadores, em comparação com o ano anterior.
“É bom lembrar que quando eu sai do Fluminense alguns de vocês (jornalistas), talvez 50%, diziam que eu fui embora porque não ia ganhar a Libertadores. Só que, depois de 25 dias, eu peguei um time que tinha de ganhar ou ganhar do Cerro Porteño (Paraguai) lá, sem Neymar, Elano e Zé Eduardo, para ter chances de classificar. É demais. Eu devo ser muito burro. A verdade é que eu sai do Fluminense porque o presidente (Peter Siemsen) não acreditou muito em mim”, disparou.
No Santos, Muricy recebeu total respaldo da diretoria e do elenco, o que ele acredita ter sido fundamental para os títulos paulista e da Copa Libertadores. “Eu acredito no meu trabalho. Sabia que seria dificílimo e, por isso, a direção colocou que eu poderia iniciar o meu trabalho somente no Brasileiro. No entanto, eu confio no meu trabalho. Fui para lá, revertemos uma situação complicada na fase de grupos e, a partir dali, demos uma arrancada. Isso fez com que os jogadores acreditassem no meu trabalho e que poderíamos ser campeões”, finalizou.